Exclusiva com Bruno Rodrigues2

Webwriting – Entrevista – Bruno Rodrigues

Bruno Rodrigues é jornalista e publicitário e autor dos livros “Webwriting – Pensando o texto para a mídia digital” e Webwriting – Redação & Informação para a web”. Pesquisa sobre webwriting desde 1995, ministra cursos e dá palestras sobre o tema desde 2000. Bruno foi o primeiro profissional de web a falar em webwriting no Brasil. Começou a pesquisar o assunto em 1995 e a ministrar cursos em 2000. Seu primeiro livro a respeito também foi publicado em 2000. De lá pra cá, muita coisa mudou na internet (praticamente tudo mudou!), mas a Entrevista de Bruno ao WebWritersBrasil entrou para a história da internet brasileira por ter se tornado um importante referencial para muitos dos webwriters que se formaram desde então. Em uma nova entrevista exclusiva ao WWB, Bruno Rodrigues fala sobre o que mudou no webwriting desde a primeira entrevista, o que mudou na rede e no jornalismo online, fala de seus livros e faz previsões para o futuro da web e do texto na internet. Comparando as duas entrevistas você pode ter uma ideia da evolução do webwriting na internet brasileira. Confira!

Realização, edição e revisão: Alexandre Gennari – Caricatura: X-Kid

Destaques:

“Muito cuidado: texto para a mídia digital só existe um (…) muitos divulgam maneiras ‘diferentes’ de escrever para blogs, para o facebook, para o twitter (…) Tirando uma ou outra questão é o mesmíssimo Webwriting utilizado em sites e portais. É bom tomar cuidado com o que se lê por aí.”

“Meu segundo livro é a evolução natural do primeiro (…) as obras são complementares. ‘Webwriting – Pensando o texto para mídia digital’ foi consumido por um mercado que tinha acabado de nascer, enquanto ‘Webwriting – Redação & Informação para a web’ encontrou profissionais de uma área já amadurecida (…) Não haverá nada mais a falar sobre Webwriting? Claro que sim, seria burrice minha dizer isso – mas hoje o Webwriting mistura-se cada vez mais com outras disciplinas, e é sobre isso que quero falar em um novo livro.”   

“Chegamos [no jornalismo online] onde muitos estudiosos de Comunicação Digital apontavam há anos: a redescoberta de que jornalismo é apuração, não importa o meio. É algo tão óbvio, mas desde o início as novidades tecnológicas que se apresentavam ao jornalismo online, acabaram nos cegando bastante. Jornalismo online, hoje, é uma belíssima caixa de ferramentas repleta de aplicativos capazes de tornar a apuração – e é claro, a veiculação da notícia – ainda mais eficiente do que se faz em outras mídias. Aí, sim, toda novidade tecnológica faz sentido.”

“Com a concretização da convergência de mídias, elementos como imagens, áudio e vídeo haviam passado a ser indissociáveis do texto. Webwriting seria o trabalho da boa distribuição destes elementos da informação pelas camadas de um ambiente digital, e ponto final (…) Aí surgiu o blog. E depois as redes sociais. E então o twitter. O texto, então, havia naturalmente voltado a ser o centro das atenções na mídia digital.”

“Você nem imagina a importância do webwriter saber, cada vez mais, contar uma história. A afirmação do storytelling na mídia digital nos últimos anos, e de desdobramentos como o transmedia storytelling, são a prova disso.”

Entrevista:

Webwritersbrasil: Desde sua primeira entrevista ao WebWritersBrasil, quando ainda se discutia as características básicas da linguagem escrita na Internet, quais foram as principais mudanças que você observou na Rede?

Bruno Rodrigues: Quando passamos a entender que as técnicas de escrita para a web nada tinham a ver com ortografia ou gramática, de que não se escrevia ‘diferente’ no meio digital, aí sim a diferença ficou clara. No meio digital, o texto exerce funções que vão além das do texto impresso: ele é um veículo de comunicação por si só, uma ‘embalagem’ que vai do básico e explícito que é ‘carregar links’ a questões mais profundas como otimização para sistemas de busca (SEO).

Webwritersbrasil: E quais as principais mudanças no texto produzido para a internet? Um dos seus temas centrais hoje é a Arquitetura da Informação, correto?

Bruno Rodrigues: O texto transformou-se em sinalizador, e em vários aspectos. A mensagem que ele transmite é apenas sua missão tradicional e ancestral. Com o texto, com a palavra, um site obscuro faz-se visto. Acima de tudo, o texto virou o principal indexador na web, e isso diz tudo. A Arquitetura da Informação tem a responsabilidade de criar o ambiente perfeito para que o texto funcione, seja qual for seu objetivo – por isso ela é essencial para o Webwriting, e vice-versa. A A.I. também aprende muito com o Webwriting, pois ela precisa se adaptar toda vez que é criada uma nova função para o texto na web.

Webwritersbrasil: Dentre esses aspectos, quais seriam as características específicas do texto nos blogs e nas redes sociais (twitter e facebook)?

Bruno Rodrigues: Muito cuidado: texto para a mídia digital só existe um, o que pode alterar seu comportamento é a interface ou, no caso do blog, o público. Ainda assim, continua sendo Webwriting. Digo isso porque muitos divulgam maneiras ‘diferentes’ de escrever para blogs, para o facebook, para o twitter. Tirando uma ou outra questão – algumas delas, as reais e relevantes, eu abordo em ‘Padrões Brasil e-Gov: Cartilha de Redação Web’ – é o mesmíssimo Webwriting utilizado em sites e portais. É bom tomar cuidado com o que se lê por aí.

Webwritersbrasil: Em 2000 você publicou ‘Webwriting – Pensando o texto para mídia digital’, o primeiro livro sobre o tema no Brasil. Em 2006 publicou ‘Webwriting – Redação & Informação para a web.’ Você considera estas duas obras complementares ou o segundo livro substitui o primeiro? Quais as indicações e contra indicações para a leitura da sua obra?

Bruno Rodrigues: O segundo livro é a evolução natural do primeiro, com 40% de conteúdo novo. Sim, sob o ponto de vista do estudo da evolução do texto na web, as obras são complementares. ‘Webwriting – Pensando o texto para mídia digital’ foi consumido por um mercado que tinha acabado de nascer, enquanto ‘Webwriting – Redação & Informação para a web’ encontrou profissionais de uma área já amadurecida. Não há contra indicação para a leitura de nenhum dos dois – a não ser que você ainda acredite, após todo este tempo, que o texto não vá sobreviver ao meio impresso… 😉

Webwritersbrasil: Existe o projeto de um novo livro da série ‘Webwriting’. O que você destaca nesta nova obra e como ela se encaixa nas demais?

Bruno Rodrigues: O novo livro pretende conversar com profissionais que já entendem do riscado antes mesmo de terem contato com a teoria; muitos vivem a prática há anos, outros, mais jovens, têm o Webwriting em seu DNA. Para estes, é preciso explicar o porquê de cada dica, de cada regra, de cada padrão. Não adianta mais um bom papo, por melhor que ele seja. É preciso comprovar, esclarecer absolutamente tudo. Será o livro mais maduro, até pela experiência que adquiri em mais cinco anos entre o segundo livro e este; pelo mercado que saiu da infância e está vivendo o melhor da adolescência; e por ser o terceiro, talvez o definitivo sobre o assunto. Não haverá nada mais a falar sobre Webwriting? Claro que sim, seria burrice minha dizer isso – mas hoje o Webwriting mistura-se cada vez mais com outras disciplinas, e é sobre isso que quero falar em um novo livro.  

Webwritersbrasil: Em nossa primeira entrevista, uma de suas afirmações gerou polêmica entre os jornalistas online: “Há jornalistas que acreditam que foram abençoados pela luz divina do Espírito Santo com a capacidade de escrever e por isso, depois da faculdade, nunca mais fazem cursos para aperfeiçoar a redação” e considerava o aperfeiçoamento constante um princípio básico para quem produz textos para a Internet. Como anda o jornalismo online hoje?

Bruno Rodrigues: Bateu no teto, como conceito chegou a um limite. Não que isso seja um sinal de mediocridade ou algo semelhante, mas chegamos onde muitos estudiosos de Comunicação Digital apontavam há anos: a redescoberta de que jornalismo é apuração, não importa o meio. É algo tão óbvio, mas desde o início as novidades tecnológicas que se apresentavam ao jornalismo online – como o real time, o jornalismo cidadão e a integração com as mídias sociais – acabaram nos cegando bastante. Jornalismo online, hoje, é uma belíssima caixa de ferramentas repleta de aplicativos capazes de tornar a apuração – e é claro, a veiculação da notícia – ainda mais eficiente do que se faz em outras mídias. Aí, sim, toda novidade tecnológica faz sentido.

Webwritersbrasil: Em seu artigo “O retorno da palavra” você fala de um momento no qual chegou a acreditar que o texto perderia cada vez mais a importância na rede em detrimento das imagens. Mas acabou por concluir que com o advento das redes sociais o texto voltou ao centro das atenções e continuará sendo o elemento mais importante na web. Fale-nos um pouco sobre isso.

Bruno Rodrigues: Durante anos fiz questão de ressaltar em palestras, treinamentos e em sala de aula que a informação na mídia digital não se restringia a texto. Eu dizia que nunca tinha sido assim, mesmo nos primórdios da web, mas que com a concretização da convergência de mídias, elementos como imagens, áudio e vídeo haviam passado a ser indissociáveis do texto. Webwriting seria o trabalho da boa distribuição destes elementos da informação pelas camadas de um ambiente digital, e ponto final.

Aí surgiu o blog. E depois as redes sociais. E então o twitter. O texto, então, havia naturalmente voltado a ser o centro das atenções na mídia digital. Ele ainda fazia – e faz – dobradinha com os outros elementos, mas ficou clara a sua relevância.

Webwritersbrasil: O crescimento da importância das imagens na Internet (YouTube, Web TVs, etc.) nos remete à produção de roteiros multimídia. Em nossa primeira entrevista você ressaltava a importância de o webwriter conhecer a estrutura de um roteiro. E hoje?

Bruno Rodrigues: Você nem imagina a importância do webwriter saber, cada vez mais, contar uma história. A afirmação do storytelling na mídia digital nos últimos anos, e de desdobramentos como o transmedia storytelling, são a prova disso. Não importa a interface – seja site, rede social ou microblogging – o redator precisa dominar a maestria da comunicação com o leitor. Parte do futuro do Webwriting está aí.

Webwritersbrasil: Você criou uma Cartilha de Redação Web para o governo brasileiro. Qual a importância de um projeto como este para o país e para o webwriting no Brasil?

Bruno Rodrigues: Como sempre faço questão de dizer, com a Cartilha estou colaborando, em escala nacional, para disseminar um conhecimento que se confunde com minha vida profissional e que, tenho certeza, é preciosa para quem produz conteúdo em português para a web brasileira. Mais do que isso, é uma forma direta e objetiva de melhorar a maneira como os sites governamentais oferecem informações e serviços aos cidadãos – foi este, de fato, o grande motivador para a equipe do Governo Eletrônico (e-Gov) criar os ‘Padrões Brasil e-Gov’. Quanto mais, por exemplo, as equipes dos órgãos do Governo brasileiro dominarem técnicas de redação para a web, mais clara, eficaz e simples será nossa relação com os sites da esfera pública. Nada do que produzi para o material é teórico, cada item é reflexo de boas práticas de mais de uma década na relação conteúdo e leitor, governo e cidadão. Tudo foi pensado, checado, avaliado e revisto dezenas de vezes. A Cartilha passou pela visão crítica do Governo Eletrônico e, ao final, foi colocada um mês em consulta pública, para que todo e qualquer brasileiro pudesse dar sua sugestão.

Webwritersbrasil: Que aspectos desta Cartilha você destacaria?

Bruno Rodrigues: O fato de ela abordar outros formatos que não texto, como banner e vídeo, e sua relação com a transmissão da informação. O capítulo sobre mídias sociais também ficou bom, trabalhei bastante nele para conseguir tirar o ‘suco’ desta área, fugindo de modismos.

Webwritersbrasil: Você foi o primeiro profissional de Internet a falar sobre Webwriting no Brasil – um dos primeiros no mundo. Você publicou um artigo chamado “O que eu aprendi em quinze anos.” Conte-nos o que você aprendeu em quinze anos, afinal?

Bruno Rodrigues: Primeiro, que é preciso produzir, sempre. A produção do profissional é seu combustível, e não a motivação, como muitos acham. É exatamente o contrário. Muitas vezes estou cansado, e o fato de dar aula, escrever um texto, estruturar um livro ou dar uma entrevista me reabastece. Depois, seja humilde. Já vi a arrogância transformar em cinzas dezenas de profissionais da área. Sempre estou pronto a responder emails, seja de um veículo importante ou de um estudante de graduação. No meu caso, sei que estou onde estou muito por conta de meus alunos e meus leitores, e por isso meu compromisso constante em ouvir – e ajudar – qualquer pessoa interessada em mídia digital.

Webwritersbrasil: Uma palavra para webwriters profissionais:

Bruno Rodrigues: Uma palavra: Webwriting é uma entre várias ferramentas necessárias para se dar bem no mercado de Comunicação e Marketing Digital. Olhe ao redor. Em uma palavra: Escreva.

Webwritersbrasil: E para estudantes ou iniciantes que pretendem escrever na Rede, o que você diria?

Bruno Rodrigues: Esteja preparado para ouvir toneladas de críticas, muitas delas bem cabeludas. E não me refiro a ignorá-las, mas a *ouvi-las*. Sempre teremos muito a aprender, já que escrevemos para os outros – ainda mais quando se está começando. Boa sorte!

 Leia também entrevista histórica com Bruno Rodrigues

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