O Aleph

Literatura – Cultura – Literatura Recomendada


Jorge Luis Borges (Editora Globo – contos – 181 págs.) 

Sinopse: Jorge Luis Borges é um dos maiores nomes da literatura moderna. No conto “O Aleph”, que dá nome ao livro, Borges fala de um misterioso objeto que funciona como um portal para uma visão total e profunda do universo. Outros destaques são: “O morto”, “A escrita do Deus”, “A espera” e “O homem no umbral”.

Comentários: O Aleph é o nome da primeira letra do alfabeto hebraico e o título do último conto desta coletânea. No conto, o Aleph é muito mais do que uma letra ou um símbolo gráfico. É um objeto que proporciona uma abertura para o maior de todos os mistérios humanos, “o inconcebível universo”. E este objeto não faz parte de nenhum tesouro, não está guardado em um cofre ou enterrado em uma ilha deserta. Está abandonado no porão de sua casa, entre objetos inúteis, tralhas e tranqueiras esquecidas. Esta coletânea compila momentos diversos, com características distintas, da narrativa do autor, inclusive o fantástico e o onírico, alguns de seus traços mais marcantes.  A narrativa de Borges é permeada por grandes metáforas e curiosas simbologias. Explora a história antiga e os mitos. Usa e abusa de citações de nomes e passagens da bíblia e da histórica contemporânea. E isso afastando o  leitor comum, menos letrado, de sua linguagem. Em contrapartida, sua ficção é riquíssima e algumas narrativas são contundentes. Borges sempre se fixa no improvável e coloca seus personagens, diversas vezes, na situação de serem quem não são, de viverem uma vida que não lhes pertence, um papel que não lhes foi destinado. Prepara surpresas, dribla o leitor como um hábil jogador de futebol, o engana como um gatuno, o ilude como um mágico, colocando deliberadamente sobre seus olhos um véu que, posteriormente, será retirado de súbito para revelar acontecimentos fantásticos, muitas vezes aterradores, que surgem de repente e mergulham, sem medo, no mais completo absurdo. E o leitor, queira ou não, completamente preso à ação, emaranhado naquele doce véu que lhe turvava a visão, mergulhará junto, supostamente indefeso. Mas mesmo que pudesse se defender, certamente não o faria. Abriria mão da proteção só para poder chegar ao fundo, hipnotizado diante da luz fulgurante do Aleph e da narrativa de Borges. 

Trecho: Vi no Aleph a terra, e na terra outra vez o Aleph, e no Aleph a terra, vi meu rosto e minhas vísceras, vi teu rosto e senti vertigem e chorei, porque meus olhos haviam visto esse objeto secreto e conjectural cujo nome usurpam os homens, mas que nenhum homem olhou: O inconcebível universo. Senti infinita veneração, infinita lástima”. 

Por: Alexandre Gennari

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