Gabriel García Marquez

Literatura – Cultura – Escritor do Dia

 

Nascimento: 6 de março de 1927 (Aracataca, Colômbia) – Estilo e gênero: Com raízes profundas na história da Colômbia e na magia do folclore caribenhos, a ficção de Márquez sonda as vicissitudes do coração e a política internacional.

“A única vantagem da fama foi ter podido dar a ela um uso político .”

Principais Obras:

Romances: Cem anos de solidão, 1967 – O outono do patriarca, 1975 – Crônica de uma morte anunciada, 1982 – O amor nos tempos do cólera, 1981 – O general em seu labirinto, 1989 – Do amor e outros demônios, 1994 – Novelas: Ninguém escreve ao coronel, 1961 – A má hora (o venendo da madrugada), 1962

Comentário: Foi criado por seus avós que marcaram para sempre sua ficção com lendas e superstições. Começou como jornalista. Depois de quatro anos na Cidade do México, trabalhando como jornalista e roteirista, começou a escrever Cem anos de solidão, publicado em 1967 com imediato sucesso e imensa aclamação. O livro é uma viagem na roda do tempo ao reino de Macondo. O romance narra um século de vidas e amores no vilarejo, a praga da insônia, o retorno dos mortos, o desaparecimento de um trem cheio de trabalhadores, uma mulher que come terra, o tempo paralisado, a destruição da aldeia. Como tudo estava previsto desde muito. Ganhou o Prêmio Nobel de Literatura em 1982. 

Fonte: “501 Grandes Escritores” – Julian Patrick – Editora Sextante – 2009.

Trecho:“De repente, quando o luto existia há tanto tempo que já se tinham retomado as sessões de ponto de cruz – alguém empurrou a porta da rua às duas da tarde, no silencio morno do calor, e as colunas estremeceram com tal força nos cimentos (…) Chegava um homem descomunal. Os seus ombros quadrados mal cabiam nas portas (…) Pendurou a rede no quarto que lhe designaram e dormiu três dias. Quando acordou, e depois de tomar dezesseis ovos crus, saiu diretamente para a taberna do Catarino, onde sua corpulência monumental provocou pânico de curiosidade entre as mulheres. Ordenou música e aguardente para todos, por sua conta (…) No calor da festa, exibiu sobre o balcão a sua masculinidade inverossímil, inteiramente tatuada num emaranhado azul e vermelho de letreiros com vários idiomas. Às mulheres que o assediaram com sua cobiça, perguntou quem pagava mais (…) As mulheres que se deitaram com ele naquela noite, na taberna de Catarino, trouxeram-no inteiramente u ao salão de baile para que vissem que não tinha um milímetro do corpo sem tatuar, na frente e nas costas, e desde o pescoço até os dedos dos pés. Não conseguia se integrar na família. Dormia o dia todo e passava a noite no bairro de tolerância, fazendo apostas de força (…) Só Rebeca sucumbiu ao primeiro impacto. Na tarde em que o viu passar diante do seu quarto, pensou que Pietro Crespi era um almofadinha magricela junto daquele protomacho cuja respiração vulcânica se percebia em toda a casa. Procurava estar perto dele sobre qualquer pretexto. Certa ocasião, José Arcadio olhou para o seu corpo com atenção descarada e disse a ela: “maninha, você é muito mulher.” Rebeca perdeu o domínio de si mesma. Voltou a comer terra e cal das paredes com a avidez dos outros tempos e chupou o dedo com tanta ansiedade que formou um calo no polegar. Vomitou um líquido verde com sanguessugas mortas. Passou noites em vigília, tiritando de febre, lutando contra o delírio, esperando até que a casa trepidasse com o regresso de José Arcadio ao amanhecer. Uma tarde, quando todos dormiam a sesta, não aguentou mais e foi ao seu quarto. Encontrou-o de cuecas, acordado, estendido na rede que pendurara nos ganchos com o cabo de amarrar navio. Impressionou-a tanta a sua enorme nudez sarapintada que teve o ímpeto de retroceder. ‘perdão,’ se desculpou, ‘eu não sabia que estava aqui.’ Mas abaixou o tom de voz para não acordar ninguém. ‘vem cá’, disse ele. Rebeca obedeceu. Deteve-se junto à rede, suando gelo, sentindo que se formavam nós nas tripas enquanto José Arcadio lhe acariciava os tornozelos com a polpa dos dedos, e depois a barriga das pernas e depois as coxas, murmurando: ‘ah maninha, ah maninha.’ Ela teve que fazer um esforço sobrenatural para não morrer quando uma potência ciclônica , assombrosamente regulada, levantou-a pela cintura e despojou-a de sua intimidade com três patadas, e esquartejou-a como a um passarinho. Conseguiu dar graças a deus por ter nascido, antes de perder a consciência no prazer inconcebível daquela dor insuportável, chapinhando no lago fumegante da rede que absorveu como um mata-borrão a explosão de seu sangue.”

Leia sobre outros escritores importantes

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s