A Onça, Eu Engoli Inteira

Alex Gennari – Livros Infantis

10468031_891891047491968_1999379818371831714_o

A Onça Eu Engoli Inteira – Autor: Alex Gennari – Ilustração: Caroline Nakamoto – Editora Cidade Nova – 48 págs. – ISBN 978-85-7821-146-2

A Onça eu engoli inteira é o livro de estreia do escritor Alex Gennari. Trata-se uma fábula muito divertida, repleta de virtudes e valores, sem cair no clichê da lição de moral.

Na voz do cacique Sete Luas, os animais de zoológico da fábula original (elefante, leão, tigre) ganham as cores da fauna das florestas brasileiras. A narrativa conta as peripécias de uma onça, um macaco, uma capivara, um jacaré, um tuiuiú e um tamanduá que se reunem para tentar desvendar o mistério que envolve a árvore Pau-Brasil, uma das mais antigas da floresta. Todas as vezes que algum animal se aproxima do Pau-Brasil, é aterrorizado por uma voz sinistra que os ameaça: ―A onça eu engoli inteira, a capivara eu parti ao meio, o jacaré eu fiz em pedaços e o macaco está no meu papo… Todas as evidências apontam para a existência de um monstro invisível que resolvera se apoderar da floresta. Para enfrentá-lo, o grupo precisará reunir suas melhores habilidades, muita astúcia e coragem. Só depois de muitas trapalhadas, situações hilárias, sustos e traquinagens, os animais desvendarão o mistério.

Por que ler o livro?

Falar sobre virtudes e valores nos dias de hoje é uma tarefa bem complicada. Imaginem a responsabilidade e o desafio da literatura para entender e preservar o universo infantil com as inúmeras interferências midiáticas que vem afastando, cada vez mais, a criança da infância. E neste ponto, o livro é um grande aliado!

A Onça eu engoli inteira abre as portas do mundo da fantasia à criança,  oferece a experiência do gosto pela literatura, pode ajudá-la a passar pela fase da socialização na vida escolar e até mesmo em casa, na convivência entre irmãos e parentes. As personagens da fábula, no caso um grupo de seis animais, ajudam a criança a se identificar com as características e habilidades de cada um e, rapidamente, colocar-se no lugar deles e vivenciar determinadas situações. Dessa forma, a criança percebe que existem ações que demandam consequências boas e ruins, reações inesperadas, sentimentos contraditórios e comportamentos surpreendentes relacionados ao respeito, amizade, compaixão, união e ao senso de equipe.

Para ilustrar, atentemos para alguns trechos do livro, nos quais o tal monstro invisível se dirige a alguns animais ferozes, como a Onça e o Jacaré, no diminutivo, questionando sua coragem. Ou ainda, se referindo ao Tuiuiú como bicho bicudo e ao Tamanduá como comedor de formigas. Ou seja, bullying no reino animal!

Além disso, a substituição dos animais do continente africano por animais típicos da fauna das florestas brasileiras iniciam a criança no universo da ecologia, da admiração pela natureza com elementos típicos do nosso país.

É simplesmente fantástico ler essa fábula e perceber o quanto ela é didática sem, em momento algum, abrir mão da qualidade literária, da fantasia, do suspense e do humor. Ingredientes essências para incentivar a leitura.

Com um projeto gráfico primoroso e ilustrações feitas por meio da técnica de xilogravura, A Onça eu engoli inteira é uma excelente oportunidade de iniciar com as crianças uma boa reflexão sobre o comportamento social nos dias de hoje e a importância da natureza em nossas vidas.

Apresentação (por Renata Sant’Anna)

Muitas das histórias, que ouvimos quando crianças, lidas por nossos pais enquanto somos pequenos e por nossos próprios olhos à medida que vamos crescendo, tecem a memória de nossa infância e permanecem na vida adulta. Contos de fadas, poemas e histórias fantásticas compõem o repertório infantil. Mais tarde, deixamos de ser apenas ouvintes, passando a ser também leitores e narradores, construindo o repertório das crianças ao nosso redor. Alguns de nós como pais, outros como tios, outros ainda como professores e escritores. Alex Gennari inicia seu percurso como autor de livros para o público infantil recontando uma história que marcou sua infância e se estendeu para sua atuação como pai leitor. O narrador mudou, o tempo é outro, os personagens da sua infância e de seus filhos como elefante, leão e tigre são agora jacaré, tuiuiú e capivara. Ninguém tem o mesmo papel, nada tem o mesmo lugar, mas o encanto da história permanece. Nessa floresta encantada o que reina é o envolvimento afetivo com uma história com um tema muito apreciado pelos pequenos leitores – os animais. Entre árvores, caciques, tamanduás e macacos “estamos todos em casa outra vez”.

Renata Sant’Anna nasceu em Santos (SP). É formada em artes plásticas (FAAP) e mestre em Artes (ECA-USP). Depois de muitos anos contando histórias da arte para crianças no Museu de Arte Contemporânea da USP, resolveu escrevê-las. É autora de Para comer com os olhos (Ed. Panda Books) e “De dois em dois: um passeio pelas bienais” (Ed. CosacNaify), entre outros livros sobre arte para o público infantil. 

Anúncios

2 respostas para A Onça, Eu Engoli Inteira

  1. Pingback: Infantil: Alex Gennari na 23a Bienal do Livro de São Paulo | Webwritersbrasil's Blog

  2. Pingback: Lançamento de “A Onça eu Engoli Inteira” livro infantil de Alex Gennari | Webwritersbrasil's Blog

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s