Uma dúzia de filmes que eu adoro

Alexandre Gennari – Crônicas – Cinema

    

Imagine que você é dono de uma locadora de DVDs. Um belo dia, sua loja pega fogo e você tem alguns poucos minutos pra salvar uma dúzia de filmes. Os doze melhores filmes da sua vida. Uma dúzia, meu amigo, nem mais, nem menos. Ou então, você vai passar o resto dos seus dias sozinho, em uma ilha deserta e só pode levar doze filmes com você.

Rubens Ewald Filho, talvez o crítico de cinema mais conhecido do Brasil, porque fala na entrega do Oscar, é autor do livro “Os cem melhores filmes do século 20”, no qual faz uma lista dos melhores filmes do século passado (na opinião dele). Uma centena de filmes. Agora, o que eu queria mesmo, era ver o Rubens reduzir a lista dele para algo como “Uma dúzia de filmes que eu adoro.”

Esse negócio de fazer lista dos melhores isso, melhores aquilo, também me lembra um filme: ‘Alta Fidelidade’, no qual o protagonista, personagem do John Cusak, é dono de uma loja de discos (tipo Durval) e tem mania de fazer listinhas. Uma delas, se bem me lembro, é a lista dos cinco piores foras que ele levou na vida. 

Bem, mas vale a pena ter o livro do Rubens na cabeceira enquanto a gente vê ou revê os filmes relacionados. E vale a pena pensar na sua lista de melhores filmes e compartilhá-la com o pessoal do Webwritersbrasil escrevendo no campo “deixe uma resposta” no final desse texto.  Aqui vai a minha lista:

Os bons companheiros (Direção: Martin Scorsese – 1990 – USA – Drama – 145 min. – Roteiro: Nicholas Pilegi e Martin Scorsese – Elenco: Ray Liotta, Robert De Niro, Joe Pesci) “Se na sua infância você torcia pelos índios em filmes do general Custer, pelo bandido em filme de cowboy e pelo ladrão em policiais, você vai amar ‘Os bons companheiros’, uma obra prima de Martin Scorsese sobre o universo gangster. Mas se você detesta histórias de gangsteres e adora filmes de amor, você vai adorar ‘Goodfellas’ porque não se trata apenas de um filme, mas de uma aula de cinema, direção e roteiro.”

Era uma vez na América (Direção: Sérgio Leone – 1984 – EUA/Itália – Policial – 227 min. – Roteiro: Leonardo Benvenuti, Piero di Bernardi, Enrico Medioli, Franco Arcalli, Franco Ferrini, Sérgio Leone, Stuart Kaminsky – Elenco: Robert De Niro, James Woods, Elizabeth Mc Govern) “O filme é um rico panorama da imigração judaica para a América, da Máfia nos EUA e dos dilemas da vida humana em qualquer parte do mundo. Leone criou uma fita excepcional, uma história carregada de emoções. O passado, repleto de lembranças e dores, assume um peso intolerável. Em tudo há poesia, lirismo e um toque de melancolia por esse passado irremediavelmente perdido. Sempre.”  

Cidade de Deus (Direção: Fernando Meireles – 2002 – Brasil – Drama – 130 min. – Roteiro: Bráulio Mantovani – Elenco: Matheus Nachtergaele, Alexandre Rodrigues, Leandro Firmino da Hora) “Afinal, de quem é a culpa pelo abismo social brasileiro? Minha? Sua? Do governo? Do capitalismo? Da globalização? Talvez a gente encontre explicação na história: A colonização predatória, a escravidão, a migração descontrolada, a ditadura militar… Cidade de Deus reflete sobre o surgimento das favelas, do tráfico de drogas e do aumento gradual da violência que acabaram por dominar o Rio de Janeiro, sobre a miséria e a falta de opção dos jovens excluídos, a grande ferida social do nosso país, é exposta na tela de forma dramática. Independentemente dos culpados trata-se de um filme fascinante que nos faz sentir aliviados da nossa parcela de culpa quando vemos nossas mazelas denunciadas com tanta inspiração.”

Crônica de um amor louco (Direção: Marco Ferreri – 1981 – ltalia/Franca – drama – 108 min – Roteiro: Sergio Amidei, Marco Ferreri, Anthony Foutz – Elenco: Ben Gazarra, Ornella Mutti, Tania Lopert) “O que importa é ter estilo, assim disse o poeta da louca crônica de Ferreri cujo grande mérito é transpor para a tela, com estilo único, o universo underground de Bukowski. A crônica é um mergulho radical e sem concessões na irracionalidade dos sentimentos, no absurdo das emoções. Aí é que encontramos o divino de sermos humanos e nos afastamos da obsessão estúpida de querermos para nós o divino inalcançável com o qual nos acenam os deuses. Deuses não têm vísceras. Nós temos! Os personagens de Bukowski têm. Ter estilo é banir de nossas vidas o equilíbrio medíocre dos ponderados. É viver, sem medo das conseqüências a louca paixão pelos extremos, como verdadeiros deuses humanos. É preciso coragem. Alguém se habilita?”

Sociedade dos poetas mortos (Direção: Peter Weir – 1988 – EUA – Drama – 129 min. – Roteiro: Tom Schulman – Elenco: Robin Wiliams, Robert Sean Leonard, Ethan Hawke) “’Carpen Diem…’ é o que sussura Robin Wiliams junto ao quadro de fotografias de ex-alunos, para surpresa de seus novos pupilos. Viva o presente! Amanhã, estaremos todos mortos. O filme exalta a juventude, a amizade, os melhores anos de nossas vidas, a filosofia, a poesia, a palavra, a literatura. O roteiro é um poema feito de imagens e palavras, um transbordamento de lirismo e emoção que reflete sobre os talentos do ser humano, sobre o conflito entre o velho e o novo. ‘“Eu fui à floresta porque queria viver profundamente e sugar a essência da vida. Eliminar tudo que não era vida. E não, ao morrer, descobrir que não vivi”. – É o que nos diz Thoreau através de Weir, é o que nos dizem os Poetas Mortos e os vivos também, é o que eu repito, a cada manhã, em frente ao espelho.”  

As horas (Direção: Stephen Daldry – 2002 – EUA – Drama – 114 min. – Roteiro:  David Hare – Elenco: Meryl Streep, Julianne Moore, Nicole Kidman) “A recriação do suicídio de Virgínia Woolf, logo nas primeiras sequências, já foi o bastante para o filme entrar pra minha seleta lista de Preferidos. As Horas é uma overdose de sensibilidade, um mergulho profundo no misterioso universo feminino, curiosamente descrito por homens. Trata-se de uma colcha de retalhos costurada a partir de pequenas e poderosas emoções. Não as emoções da ação e da adrenalina que crescem como mato no triste cinema de Holywood, mas aquelas que vêm do fundo da alma e das vivências mais profundas de cada um. Mais do que um grande filme, As Horas é um grande roteiro! Uma adaptação primorosa, capaz de entremear três histórias paralelas sem perder o fio da meada.”

Hair (Direção: Milos Forman – 1979 – EUA – Musical – 120 min. – Roteiro: Michael Weller – Elenco: John Savage, Treat Willians, Beverly D’Angelo) “Não há nada melhor do que ter 18 anos! O resto é bobagem. Os amigos, as loucuras, as aventuras… E aquela sensação de que o mundo pode ser nosso a qualquer momento. Assistir a Hair, de Milos Forman, é a melhor vingança para quem não tinha 18 anos nos anos 1960. O filme é uma elegia à esse tempo mágico, a juventude, especialmente aos jovens dos anos 1960, uma geração que mudou o mundo.”  

Laranja mecânica (Direção: Stanley Kubrick – 1971 – Inglaterra – Drama – 138 min. – Roteiro: Stanley Kubrick – Elenco: Malcom McDowell, Michael Bates, Patrick Magee) “A questão da violência, abordada por Kubrick em 1971, parece mais atual do que nunca. Uma violência gratuita, praticada por mero prazer, por puro instinto. Através da explosão desta violência, Kubrick faz uma sondagem da natureza humana, deste instinto destrutivo inerente ao ser. Laranja Mecânica é um ícone. Universal como a violência e a manipulação do homem pelo homem na busca eterna por mais e mais e mais poder.”

Blade Runer (Direção: Ridley Scott – 1982 – EUA – Ficção – 117 min. – Roteiro: Hampton Fancher e David Peoples – Elenco: Harrison Ford, Rutger Hauer, Sean Young) “Dois aspectos deste roteiro o tornam genial: O confronto entre criador e criatura e a reflexão sobre a condição humana, frágil e perecível. A metáfora entre a brevidade da vida dos andróides e a fragilidade da existência humana na terra, é a grande questão, é o que toca e emociona o espectador sem que ele dê conta disso. Os andróides, como nós, querem mais vida e desafiam seu criador por isso. Essa reflexão filosófica faz de Blade Runner um filme imortal, ao contrário dos andróides e dos humanos.”

O poderoso chefão (trilogia – Direção: Francis Ford Coppola – Drama Policial – EUA – Parte 1: 1972 – 175 min. – Parte 2: 1974 – 200 min. – Parte 3: 1990 – 161 min. – Roteiro: Mario Puzzo e Francis Ford Coppola a partir do romance de Puzzo – Elenco: Al Pacino (1, 2 e 3), Diane Keaton (1, 2 e 3), Robert Duvall (1 e2), Marlon Brando (1), Robert De Niro (2), James Caan (1), Andy Garcia (3). “Não há nada melhor do que uma história bem contada sobre a Máfia. Em geral são histórias envolventes, intrigantes e com muita ação, suspense e um certo glamour; ingredientes poderosos na ficção.”

Cidadão Kane (Direção: Orson Welles – 1941 – EUA – Drama – 120 min. – Roteiro: Herman J. Mankievicz e Orson Welles – Elenco: Orson Welles, Joseph Cotten, Ray Collins, Paul Stewart) “Afinal, para que serve o Oscar senão para satisfazer a vaidade de Holywood, alavancar bilheterias, massagear o ego dos americanos e pra gente comer pipoca na frente da televisão uma vez por ano? Embora tenha conquistado apenas um Oscar (justamente o de melhor roteiro) e tenha sido um fracasso de bilheteria na época em que foi lançado, Cidadão Kane é o filme preferido da crítica para ocupar o posto de ‘O melhor de todos os tempos’. Assim, a história do cinema se divide em antes e depois de Cidadão Kane.”

Casablanca  (Direção: Michael Curtiz – 1942 – EUA – Romance – 99 min. – Roteiro: Julius J. Epstein, Philip G. Epstein e Howard Koch. – Elenco: Humphrey Bogart, Ingrid Bergman, Paul Heinreid) “Quem nunca sonhou em ser como Rick, o personagem de Bogart em Casablanca, e escutar As time goes by ao piano ao lado de Ingrid Bergman, uma das mais belas mulheres da história do cinema? Por essas e outras, Casablanca é um dos filmes mais cultuados de todos os tempos.”

Por Alexandre Gennari

Mais crônicas de Alexandre Gennari

Saiba mais sobre Alexandre Gennari

10 respostas para Uma dúzia de filmes que eu adoro

  1. maria cris disse:

    alguns dos meus favoritos que vieram à cabeça:

    Coração selvagem – David Lynch
    quase todos do Jim Jarmush
    Lucía y el sexo – Julio Medem
    Los amantes del círculo polar – Julio Medem
    Os incompreendidos – François Truffaut
    A mulher do lado – François Truffaut
    Paris Texas – Win Wenders
    Bastardos inglórios – Quentin Tarantino
    Princesas – Fernando León de Aranoa
    TODOS da Sophia Coppola
    The Royal Tenenbaums – Wes Anderson
    My blueberry nights – Wes Anderson

    nossa! tem muito mais…
    vai devagar…

    abraços,
    Cris

  2. andres legum disse:

    Só 12?

    1_laranja mecânica_(Stanley Kubrick)
    2_outubro_(Sergei Eisenstein)
    3_amores brutos_(Alejandro Iñarritu)
    4_21 gramas_(Alejandro Iñarritu)
    5_babel_(Alejandro Iñarritu)
    6_in to the wild (Sean Penn)
    7_nueve reinas_(Fabián Bielinsky)
    8_el secreto de tus ojos (José Campanella)
    9_eyes wide shot_(Stanley Kubrick)
    10_cidadão kane_(Orson Welles)
    11_janela da alma (João Jardim e Walter Carvalho)
    12_cidade de Deus (Fernando Meirelles)

  3. Puxa…doze é pouco. Aí vai parte da minha lista de favoritos…sao tantos….

    1. O Poderoso Chefao (Copola) (todos)
    2. As Pontes de Madison (Eastwood)
    3. O Expresso da Meia Noite (Alan Parker)
    4. Pappilon- (Franklin J. Schaffner)
    5. Tubarao- (Spielberg)
    6. Casablanca (Curtiz)
    7. E o Vento Levou (Fleming)
    8. Rocky um Lutador ( John G. Avildsen)
    9.Taxi Driver (Scorsese)
    10. Ben Hur (Willian Wyler)
    11. Dança com Lobos (Kevin Costner)
    12. Um Estranho no Ninho (Milos Forman)

  4. João Paulo Aiex Alves disse:

    Não necessariamente nessa ordem:
    “O Invasor”;
    “Atirando para matar”;
    “Dia de treinamento”;
    “Tropa de elite”;
    …”Poderoso chefão”;
    “A Profecia”;
    “Se beber não case”;
    “Mary e Max”;
    “Horizonte perdido”;
    “Operação Valkiria”;
    “O nome da rosa”;
    “O exterminador do futuro”.

    Ufa, missão completa.

  5. Cristina disse:

    Aqui vão os meus :
    1) As Horas – Stephen Daldry
    2) O Labirinto do Fauno – Guilhermo Del Toro
    3) O Segredo De Seus Olhos – José Campanella
    4) Beleza Americana – Sam Mendes
    5) Sherek 1- Dreamworks ( the best !!! )
    6) Cabra Cega – Toni Venturi
    7) Corra Lola Corra – Tom Yykmer
    8) Hair – Milos Forman
    9) Central do Brasil – Walter salles
    10) Ensaio Sobre a cegueira – Fernando Meirelles
    11) O Filho da Noiva – José Campanella
    12) Maria Antonieta – Sophia Copolla

  6. vagner dantas disse:

    Meus melhores filmes são: Ben Hur, O Poderoso Chefão(trilogia), Scarface(Brian de Palma), 2001(Uma odisséia no espaço), Carrie a estranha, Os bons companheiros, A bela da tarde, Vestida para matar, Era uma vez no Oeste, Sem Destino, A cruz de ferro, Tragam a cabeça de Alfredo Garcia e Sob o domínio do medo(Sam packinpah).

    • bacana a lista, Vagner. compartilhamos O Poderoso Chefão e Os Bons Companheiros. Vestida para matar é genial, revi outro dia. show. assim como revi Carrie. hoje, a cena final do carro capotando e explodindo chega a ser hilária. o filme é kitsch pra cacete, mas continua muito legal. E A Bela da Tarde e 2001 estão, seguramente, entre quaisquer listas de clássicos de todos os tempos. valeu! abraço, Ale Gennari

  7. Val disse:

    Vejam ” A Malvada ” com a Bette Davis! Imperdivel! A Marilyn Monroe faz uma pontinha. E vamos aguardar a Maryl Streep no papel da Dama de Ferro..nao vejo a hora! Bora cinematecar!

  8. Suzi disse:

    Muito difícil essa pergunta pois são só dez. Mas gostei muito da lista da Cris ❤

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s