Doc Comparato

Roteiros – Entrevista – Teledramaturgia

Doc Comparato é roteirista, escritor e dramaturgo. Trabalhou na Rede Globo onde emplacou grandes sucessos como a minissérie “O tempo e o Vento” e o seriado “Malu Mulher”. É autor do livro “Da Criação ao Roteiro”, a principal publicação nacional sobre a arte de escrever Roteiros.

Realização e edição: Alexandre Gennari e Felipe Moreno – Revisão e diagramação: Akemi Sakurai e Murilo Dias César. Fotos: Caio Kaufman. Caricatura: X-Kid

    

Destaques

“Hoje, há alguns exageros na teledramaturgia brasileira: tem gente colocando personagens de novela para falar como personagens de Shakespeare: ‘Princesinha, agora eu vou pegar aquele copo de veneno e você verá.’ (risos).”

“Nós precisamos saber que 90% de toda essa informação que circula por aí é bobagem. Bobagem. Inclusive nós mesmos:  90% do que pensamos e fazemos é bobagem. Pura tolice.”

“O mundo está mudando de velocidade. A vida e o tempo estão mais rápidos. Talvez esse mecanismo de velocidade dramática gere produtos sem forma e sem conteúdo.”

“Não dá mais pra fazer roteiro muito específico. O roteirista já sabe de antemão que aquele material vai ser usado até o osso. Nós estamos vivendo um momento na produção audiovisual no qual tudo tem que dar lucro: até cemitério tem que dar lucro. Morreu? Ah, então paga lá na outra vida. Mas têm coisas que não dão lucro: doenças não dão lucro, pessoas morrendo não dão lucro, crianças esfomeadas não dão lucro.” 

“A Globo tem trabalhos de excelente qualidade. O problema é que essa concentração de poder é muito grande. Do ponto de vista estético, acho que a contaminação da televisão no cinema brasileiro é ruim. Eu gosto do diferente, da diversidade.”

“A concentração, como a que há no Brasil, não pode continuar, é absurda. Por outro lado, na cidade de Pindaibaçuba (sic), não pode ter um puta estúdio. Descentralizar não é nada disso. A questão é criar alguns centros regionais.” relação a roteiros, é preciso investir nas pessoas e não nas coisas.”

“A grande questão da ficção na internet é: ‘Como é que vamos contar essa história com os recursos que temos aqui?’ O problema é esse processo de pulverização da imagem, da coisa sem conteúdo, do clipe sem ação dramática.”

“O grande momento do roteirista é quando ele está diante da folha em branco, escrevendo, trabalhando. Aí é que você sente que é um roteirista e não quando o produto está no set ou escancarado na tela. Seu momento é lá atrás.”

“Um belo dia, fui à Rede Globo. Foi inexplicável. De repente, estava na sala do Ziembinsky, com um roteiro na mão. E ele me disse: ‘Você é um louco. Como é que entrou na minha sala?’ Ele jogou meu texto em uma pilha de roteiros e disse que eu não tinha a menor chance, que voltasse dali a três anos.”

Entrevista:

WebWritersBrasil: O produtor Walter Webb — que começou a dar aulas com você e com o Avancini, em Portugal — definiu roteiro da seguinte forma: “Eu comparo o roteirista a uma mãe de aluguel. Seu trabalho é conceber, gerar, parir e depois entregar o bebê para o diretor criar”. No livro, “Da Criação ao Roteiro”, você define roteiro assim: “O roteiro é a forma escrita de qualquer audiovisual. É uma forma literária efêmera, pois só existe durante o tempo que leva para ser convertido em um produto audiovisual. No entanto, sem material escrito não se pode dizer nada; por isso, um bom roteiro não é garantia de um bom filme, mas, sem um roteiro, não existe um bom filme”. Comente a colocação do Walter e diga-nos se o seu conceito de roteiro continua sendo o mesmo. Você acrescentaria ou retiraria alguma coisa da definição do livro?

Doc Comparato: Sou totalmente a favor da minha definição. Não tiraria nenhuma palavra do que disse no livro. Apesar de o roteiro ser uma criação coletiva, como disse o Walter, é também autoral. No caso do cinema, o produto final se torna uma trindade: diretor, produtor e roteirista.

WebWritersBrasil: Em entrevista ao WWB, o escritor Marçal Aquino afirma que: “O melhor roteiro não vale um parágrafo de literatura, roteiro não é uma peça literária”. Como cultor e estudioso do roteiro, o que você pensa a respeito?

Doc Comparato: A pintura surgiu muito antes da fotografia. O pintor dizia que pintura era arte e fotografia, não. Já, o fotógrafo dizia que, com a fotografia, a pintura acabaria! Nem uma coisa, nem outra. As linguagens se completam. O surrealismo, por exemplo, é um movimento que alcançou o clímax no audiovisual, na arte pictórica, na dramaturgia. E dramaturgia é conflito; uma das artes mais antigas é a arte dramática, nós apenas saímos do espaço da palavra viva, que é o teatro, e fomos para a palavra televisiva, radiofônica, etc. Mas o conteúdo da mensagem está lá. Por conta da influência das novas linguagens interativas, da internet, por exemplo, é difícil vermos livros com 800 páginas atualmente. Ninguém sabe muito bem o que é a literatura de hoje. Será que os escritores que estão na Academia Brasileira de Letras vão ficar para a história? E aqueles que foram esquecidos no passado e que hoje estão mais vivos do que nunca? Plínio Marcos, por exemplo, o cara é fantástico! E morreu no infortúnio. Isso é muito questionável, as pessoas não podem definir o que é arte e o que não é.

WebWritersBrasil: Quais são as diferenças básicas entre o roteiro escrito para televisão e aquele criado para outras mídias?

Doc Comparato: O roteiro de televisão é mais radiofônico. Hoje, há alguns exageros: tem gente colocando personagens de novela para falar como personagens de Shakespeare: “Princesinha, agora eu vou pegar aquele copo de veneno e você verá.” (risos). Mas, a concepção vai mudar por causa das novas mídias. Não dá pra saber exatamente como. É preciso acompanhar a evolução dessas mídias. O que mais me impressiona nisso tudo é a velocidade do tempo dramático. A informação está muito pulverizada. É aquela coisa do clipe: você vê uma perna, um braço, um rosto, isso e aquilo. No final, você está bêbado.

WebWritersBrasil: É o excesso de informação…

Doc Comparato: Mas nós precisamos saber que 90% de toda essa informação é bobagem. Bobagem. Inclusive nós mesmos:  90% do que pensamos e fazemos é bobagem. Pura tolice! Partindo dessa premissa, é preciso controlar a ansiedade. Com um controle remoto de 70 canais na mão, você sempre terá a sensação de que está perdendo alguma coisa. Por isso, as crianças de hoje estão muito mais espertas. E mais ansiosas e estressadas também. O mundo está mudando de velocidade, não há dúvida. A sua vida e o seu tempo estão mais rápidos. Talvez esse mecanismo de velocidade dramática gere produtos sem forma e sem conteúdo. Mas, quando você tem ação dramática, quando alguma coisa acontece ou vai acontecer, por menor que seja, você fixou o essencial do instante. Eu acredito na arte da mentira, em contar historinhas. As pessoas dão mais importância para a ficção do que para o real. “Mataram não sei quantos iraquianos”. As pessoas nem dão mais muita bola. Agora você diz: “Mataram Odete Roitman na novela das oito”. E a audiência estoura. Será que, por meio da ficção, um dia, as pessoas vão entender que o mais importante é não deixar matar aquele cara no Iraque? Quando o programa é um clipe, com música e imagens pulverizadas, você entra num caleidoscópio e no final se pergunta: “O que aconteceu mesmo?” A tevê tem relativamente pouco tempo de vida. Não dá pra exigir respostas imediatas de um veículo que sequer está pronto. Você faz um filme de cinema sabendo que vai passar na televisão e virar DVD. Por isso, não dá mais pra fazer roteiro muito específico. O roteirista já sabe de antemão que aquele material vai ser usado até o osso. Nós estamos vivendo um momento na produção audiovisual no qual tudo tem que dar lucro: até cemitério tem que dar lucro. Morreu? Ah, então paga lá na outra vida. Mas têm coisas que não dão lucro: doenças não dão lucro, pessoas morrendo não dão lucro, crianças esfomeadas não dão lucro. Tá demais, né?

WebWritersBrasil: Por falar em lucro, como é que você vê a participação da Globo Filmes no cinema e a contaminação da linguagem de tevê no novo cinema nacional. Isso tem a ver com toda essa mistura, essa convergência? É um caminho natural?

Doc Comparato: A Globo tem trabalhos de excelente qualidade. O problema é que essa concentração de poder é muito grande. Mas uma coisa é a questão ética e outra é a estética. Do ponto de vista estético, acho a contaminação ruim. Eu gosto do diferente, da diversidade. O bonito é que tem gente que pensa diferente, que faz filme diferente, que vai me surpreender quando escrever um roteiro. Quero ver coisas novas. Por isso, essa pasteurização é muito ruim, inclusive na tevê. As próprias competidoras da TV Globo tentam copiá-la, em vez de criar algo novo.  

WebWritersBrasil: Segundo o dramaturgo Fernando Bonassi, em entrevista ao WWB: “A dramaturgia de televisão no Brasil é muito ruim! E a culpa disso não é só dos empresários, é de quem escreve também”. Como você vê essa questão?

Doc Comparato: O Bonassi vai me desculpar, mas a qualidade no Brasil é muito boa. A teledramaturgia em outras partes do mundo é muito pior. A Globo tem projeção internacional, vende para tudo quanto é país. O fato é que a televisão foi invadida pela comédia, ou seja, um monomodelo dramático no qual você tem que rir por obrigação. Sorrir é divino, chorar é humano. Os deuses no Olimpo sorriem o tempo todo, quem chora somos nós. Por isso, autores dramáticos, como eu, sofrem. Além disso, a concentração da teledramaturgia em uma única cadeia de tevê durante muito tempo entorpeceu o mercado. Mesmo assim, a média de qualidade da nossa produção é muito boa.

WebWritersBrasil: Fale um pouco sobre a regionalização da produção audiovisual no Brasil e sobre a formação de novos (e bons) roteiristas.

Doc Comparato: Tenho três facetas profissionais: uma delas é a do escritor, do autor. Eu gosto de escrever e demorei muito para descobrir isso. Outra, é a do professor, do estudioso. E tem o lado do homem de televisão, que trabalha a grade de programação, de tendências.

WebWritersBrasil: São os seus três canais…

Doc Comparato: É. Tem momentos em que o autor não ganha dinheiro; aí, o cara de televisão vai e faz uma consultoria em algum projeto, o professor dá aula, participa de um seminário não sei onde. Juntando a experiência dessas três faces, posso dizer que a concentração, como a que havia no Brasil, é absurda! Por outro lado, na cidade de Pindaibaçuba (sic), não pode ter um puta estúdio. Descentralizar não é nada disso. A questão é criar alguns centros regionais. Com relação a roteiros, é preciso investir nas pessoas e não nas coisas. É mais barato e mais efetivo.

WebWritersBrasil: Bem, vamos falar sobre o seu livro… No posfácio de “Da Criação ao Roteiro”, há um texto chamado “O Ciberdrama: O Roteiro da Cibernética”, assinado por Daniel Weller, que é uma antecipação do que viria a ser a incipiente dramaturgia na internet de hoje. O que você incluiria no livro atualmente sobre roteiros para web?

Doc Comparato: Em primeiro lugar, dizer que as pessoas escrevem mal na rede e que isso é uma coisa horrorosa, é uma pobreza de espírito! Nunca se escreveu tanto. Escrevem-se bobagens, tolices, mas exercita-se a escrita, cria-se um texto novo, reduzido. Sou sempre a favor daquilo que está por vir e não daquilo que era. Bem, o Daniel foi meu aluno, por isso participei da criação desse texto. Mas quero escrever um capítulo novo sobre isso, uma coisa muito específica. O primeiro erro da dramaturgia na web é deixar que a iniciativa dos textos parta dos técnicos, que eles ditem como vai ser a trama. Isso tem que partir dos autores e os técnicos que se adaptem. Do criativo para o técnico, e não o contrário. A grande questão da ficção na internet é: “Como é que vamos contar essa história com os recursos que temos aqui?” O problema é esse processo de pulverização da imagem, da coisa sem conteúdo, do clipe sem ação dramática. Imagine eu e a minha filha assistindo à “Bela Adormecida”. Há um momento do filme no qual o príncipe sai a cavalo e cavalga durante algum tempo. Ela pega o controle e adianta a cena. Eu digo: “Não faz isso, filha, você está estragando o trabalho do roteirista.” E ela: “Mas nessa parte não acontece nada, papai.” (risos). Ela estava editando o filme do jeito dela, acelerando a velocidade dramática; as crianças agora têm essa velocidade. Voltamos à questão da velocidade! Então, como é que vamos estimular essa criança a ouvir a nossa história? Como é que eu vou dizer: “Para que eu quero te mostrar uma coisa”? O trabalho da dramaturgia é captar lógicas humanas e interagir com quem está do outro lado: “Essa lógica te interessa? E essa com aquela, te interessa?” O importante nesse processo é transmitir a idéia de que a arte, como a vida, tem fim. Tem início, meio e fim. Isso dá uma sensação de completude, é uma coisa tão bonita, é o que encanta e arrebata o espectador. Se essa completude for esfacelada, pulverizada, o encanto será quebrado. Precisamos voltar um pouco a fita. Você pode fragmentar, mas com alguma ação dramática. Não precisa reduzir a velocidade.

WebWritersBrasil: O internauta que está na frente do computador pode se tornar um personagem?

Doc Comparato: Não. Contar a história pra você mesmo não tem graça nenhuma. A idéia de que cada espectador e cada leitor é um autor é uma mentira.

WebWritersBrasil: A espinha dorsal do livro “Da Criação ao Roteiro” é o que o WWB chamou de “Seis Passos para o Roteiro”, na seção “A Arte do Roteiro”. Fale-nos um pouco sobre a dinâmica desse processo.

Doc Comparato: O roteiro é uma obra autoral, mas de criação coletiva. Então, ao escrever, me  pergunto: “O que o maquiador vai pensar ao ler este roteiro?” Não costumo assistir às filmagens dos meus roteiros, nem participar do casting. Não escrevo um papel para determinado ator. Quando você escreve um roteiro, fica imerso naquele universo durante muito tempo. Depois de um ano, quando for ver seu texto sendo produzido, você já estará imerso em outra história, escrevendo em outra velocidade dramática. Daí olha para aquilo e diz: “Que bonito.” Mas não tem mais nada a ver. O grande momento do roteirista é quando ele está diante da folha em branco, escrevendo, trabalhando. Aí é que você sente que é um roteirista e não quando o produto está no set ou escancarado na tela. Seu momento é lá atrás. Aí você recebe o produto final como se fosse um presente pelo qual não esperava. Uma surpresa.

WebWritersBrasil: Como você avalia o mercado para roteiristas no Brasil, tanto em tevê quanto em outras mídias? Você ganhou dinheiro como autor?

Doc Comparato: O mercado é amplificador, promissor. Sim, fiquei rico. Rico de idéias.

WebWritersBrasil: Fale-nos um pouco sobre sua formação profissional. Além de escritor e roteirista, você é médico?

Doc Comparato: Nasci no Rio de janeiro, estudei em escola pública e em escola de padre, aprendi até latim. Formei-me em Medicina muito cedo. Depois, ganhei uma bolsa e fui para Inglaterra, onde morei durante dois anos. Por muito tempo, achei que ser médico tinha sido uma perda de tempo, mas hoje, olhando para trás, acho que, sem essa intensa experiência de vida, eu não poderia ser escritor. E os fatos só têm corpo quando olhamos para trás; quando você está neles, não está vendo o corpo.

WebWritersBrasil: Fale-nos um pouco sobre seu trabalho como roteirista. Como você começou?

Doc Comparato: Eu achava que não sabia escrever, era péssimo em português, trocava as letras e detestava ortografia, caligrafia e gramática. Apesar de ter boas notas, tive dificuldades na escola, cheguei a pensar que não era inteligente, que não conseguiria me dar bem profissionalmente.

WebWritersBrasil: Você era um garoto criativo?

Doc Comparato: Muito criativo, gostava de brincar no palco. Ainda muito pequeno, inventei um palco na escola pública e convenci todo mundo a encenar.

WebWritersBrasil: E como o médico se tornou roteirista?

Doc Comparato: Aos 28 anos, pensei: “E agora? Vou ser médico pro resto da vida? Mas têm coisas na Medicina que me enchem. O que é que eu posso fazer?” E comecei a escrever. Primeiro, contos; depois, peças para teatro e, mais tarde, fui para a televisão.

WebWritersBrasil: Você fez algum curso para escrever roteiros?

Doc Comparato: Os cursos de roteiro na Inglaterra eram horríveis! Comecei a ler roteiros, estudá-los, tomar notas. Fui um autodidata e acabei criando meu próprio método, que se transformou no livro [N.do E. – “Da Criação ao Roteiro”]. Depois, aos poucos, fui descobrindo que havia Aristóteles e tudo o mais.

WebWritersBrasil: Qual foi seu primeiro trabalho como roteirista?

Doc Comparato: Um belo dia, fui à Rede Globo. Foi inexplicável. De repente, eu estava na sala do Ziembinsky, com um roteiro na mão. E ele me disse: “Você é um louco! Como é que entrou na minha sala?” Ele jogou meu texto em uma pilha de roteiros e disse que eu não tinha a menor chance, que voltasse dali a três anos. Saí de lá desesperado. Mas, logo em seguida, a Globo me procurou. Na mesma semana, houve uma revolução na programação, e eles pegaram aquelas pilhas de roteiro; como o meu estava por cima (risos), acabou sendo lido. Aí, alguém deve ter dito: “Ah, esse é legal! Bota no ar!” Depois, fiquei sabendo que quem leu o meu roteiro foi o Paulo José. Imaginem que voltei ao Brasil para o Natal de 1977 e, em maio de 78, estava estreando na Globo. Contando assim, parece que foi fácil, mas não foi. Não foi e não é! O livro “Da Criação ao Roteiro” foi recusado por três editoras e demorou dois anos para ser publicado. Até hoje tenho peças que não foram encenadas e roteiros que não foram gravados. Está tudo aí, engavetado.

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