Uma rua chamada pecado

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 capa

Direção: Elia Kazan – 1951 – EUA – drama – 125 min – Roteiro: Oscar Saul a partir da peça de Tennessee Williams – Elenco: Marlon Brando, Vivian Leigh, Kim Hunter.

Sinopse: Depois de ir à falência, Blanche Dubois vai morar com a irmã em Nova Orleans. Logo entra em conflito com o cunhado, um polonês mau educado, jogador e beberrão. Aos poucos, Blanche se revela uma pessoa bem diferente do que aparente ser.

Comentários: Quando o filme terminar, não fique esperando as cortinas se fecharem. Levante e bata palmas, mesmo que esteja sozinho na sala de sua casa. “Uma rua chamada pecado” ou “Um bonde chamado desejo” (como se chamou a montagem teatral do mesmo texto no Brasil) é puro teatro. E não é pra menos. O texto original foi escrito por Tennesse Williams, um dos maiores dramaturgos de todos os tempos.

Quase toda a ação foi gravada em estúdio, seguindo praticamente o mesmo roteiro usado no teatro. O conflito central, os diálogos e até o cenário são puro teatro. Há sons incidentais, como o do trem que passa próximo à casa do casal Kowalski; e objetos dramáticos, como o espelho redondo no qual Blanche se olha em uma das melhores seqüências do filme. Elia Kazan também dirigiu uma das montagens da peça homônima, tendo Marlon Brando no papel principal. Rubens Ewald Filho afirma que “como teatro filmado, a fita é exemplar: valorizada pelo claro-escuro e pelo excelente elenco (…) é preciso ver o filme para entender o impacto que Brando teve no cinema moderno (…) sua entrada em cena é uma explosão de carisma, virilidade e sensualidade.”.

Realmente. A atuação de Brando é portentosa. Jovem, belo e sensual, ele encarna de forma contundente o cafajeste, grosso e mau caráter Stanley Kowlaski. Leigh, também está bem como a problemática e dissimulada Blanche. Todas as personagens são fortes e consistentes. Talvez Blanche e Stanley se mereçam, enquanto Stella (esposa de Stanley e irmã de Blanche) e Mitch (amigo de Stanley e pretendente de Blanche) pagarão o pato por sua ingenuidade.

Apesar da predominância de cenas internas, o clima de Nova Orleans fica bem marcado nas seqüências iniciais: as ruas estreitas, a música negra, a pobreza, o rio e a boemia local. O filme foi indicado a 7 Oscars (inclusive o de melhor roteiro). Venceu 3: atriz e coadjuvantes. Curiosamente, Brando ficou sem o prêmio.

Em tempos de internet e novas mídias, “Uma rua chamada pecado” nos faz lembrar que a questão da convergência (neste caso entre cinema e teatro) remonta a muito mais tempo do que pensam os “modernos” de plantão e que o teatro é, definitivamente, o pai do cinema e da tevê. Sem dramaturgia e sem conflito, não há espetáculo. Sem teatro, não há cinema e não há televisão.

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