Rocco e seus irmãos

Roteiros – Cultura – Filmoteca do Roteirista

rocco e seus irmãos

Direção: Luchino Visconti – 1960 – Itália – Drama – 190 min. – Roteiro: Luchino Visconti e outros – Elenco: Alain Delon, Annie Girardot, Renato Salvatori

 Sinopse: Família pobre do sul da Itália migra para o norte (Milão) e tenta sobreviver e manter-se unida na cidade grande.

Comentários: Que saudade do grande cinema italiano, talvez o mais expressivo do mundo antes que Hollywood globalizasse a sétima arte com todo seu luxo, lucro, lixos e dividendos. Que saudade de Fellini, Pasolini, dos irmãos Taviani, Antonioni, De Sica, Bertolucci e de Luchino Visconti, um dos precursores do neo-realismo, diretor de Rocco e seus irmãos, considerado sua obra-prima.

Com Rocco, Visconti venceu o prêmio especial do júri no festival de Veneza. Mesmo depois de tanto tempo a fita continua atual, não envelheceu, segundo Rubens Ewald Filho “continua a ter uma força telúrica que o torna menos acessível aos que não estão acostumados com a cultura italiana”. É justamente essa cultura, com seus traços pitorescos, costumes e hábitos, que faz de Rocco um filme único, a começar pelo papel de Katina Paxinou, que faz a típica mama italiana, alucinada pelos filhos, exagerada, melodramática.  Há também o retrato das duas Itálias, o sul, pobre e o norte, rico e desenvolvido, para onde Rocco e sua família migram em busca de uma vida melhor. Para nós brasileiros, qualquer semelhança não é só mera coincidência com nosso sudeste e nordeste.

O elenco reunido por Visconti é internacional, todos têm bom desempenho, especialmente Delon, Salvatori e Girardot que protagonizam uma triangulo amoroso, conflito central da narrativa. Representações teatrais, dramáticas, repletas de conflito. Delon está no auge da beleza e do carisma que fizeram dele um mito na história do cinema. Subtítulos, com o nome de cada um dos irmãos de Rocco (Simone, Ciro, Luca), dividem o filme. A diversidade desses personagens é incrível, mas a ação acaba descambando para a polarização entre o bem e o mau, entre Rocco e Simone.

Ainda assim a narrativa é extremamente fluida, muitas coisas acontecem, muita ação recheada por intensos diálogos. Visconti não explica demais, as coisas simplesmente acontecem.

Tecnicamente há belas tomadas e ângulos, e a música do legendário Nino Rota, outro patrimônio de um cinema italiano aparentemente perdido para sempre.

Ah, que saudade!

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