Os Sete Samurais

Roteiros – Cultura – Filmoteca do Roteirista

Direção: Akira Kurosawa – 1954 – Japão – Aventura – 160 min. – Roteiro: Shinobu Hashimoto, Hideo Oguni, Akira Kurosawa – Elenco: Toshiro Mifune, Takashi Shimura, Yoshio Inaba.

Sinopse: Uma aldeia de camponeses pretende se proteger do ataque eminente de uma quadrilha que habitualmente lhes rouba a colheita.

Comentários: Bem-vindos ao país do sol nascente, uma nação sedutora e cheia de curiosidades. Bem-vindos ao mundo dos míticos samurais. Bem-vindos ao Japão, um país fascinante que ainda hoje permanece um mistério para a cultura ocidental. Diversos aspectos deste intrigante Japão desfilam em Os sete samurais causando, em princípio, estranheza: As personagens reagem de forma inusitada, estranha para os padrões ocidentais Há cenas marcadamente teatrais que parecem exagerar na dose de dramaticidade para os olhares do ocidental. Detalhes de rostos estranhos, expressões curiosas e um humor muito peculiar fazem parte do pacote. Mas depois que se entra no clima, é fácil envolver-se com a trama e se deixar levar pelos curiosos costumes dos japoneses. 

Considerado um gênio, com uma filmografia impressionante (tanto pela quantidade, quanto pela qualidade), Akira Kurosawa é um dos mais importantes diretores da história do cinema e o maior nome do cinema japonês. Os sete samurais era seu filme predileto e foi o precursor do filão “filme de samurai” influenciando diretores no mundo todo. O famoso Sete homens e um destino é uma releitura de Os sete samurais em sua versão western; assim como um certo Mercenários das galáxias é sua versão espacial. 

Mas o melhor do filme de Kurosawa são as cenas de batalha. Elas têm um ritmo incrível, envolvente. Fazem lembrar o universo cult dos videogames: Num mesmo cenário, captado de um mesmo plano, cavaleiros inimigos, um após o outro, invadem o centro da aldeia e são combatidos pelos samurais que a defendem numa repetição que, longe de ser cansativa, deixa o espectador grudado à poltrona, exatamente como em um eletrizante videogame. Mas quem manipula os controles é o talentoso Kurosawa. E só ele! A tensão é permanente, espera-se pelo momento da guerra e quando finalmente ela chega, o suspense permanece até os últimos lances da luta. Portanto, sejam bem-vindos ao mundo de Kurosawa, de um Japão cheio de nuanças que simplesmente explode na tela sem fazer muita questão de se explicar. Apenas flui.

Roteiro: O roteiro é assinado por mais dois roteiristas além de Kurosawa, o diretor: Shinobu Hashimoto e Hideo Oguni. Trata-se de uma ideia, sobretudo, original; que seria copiada à exaustão. Valores como honra, justiça e vingança (tão caros à ideologia samurai) são tratados de forma inteligente na trama e tornam-se questões vitais para o espectador também, que torce, ardentemente, para que a justiça seja feita. Pelo menos na tela.

Por: Alexandre Gennari

Assista

Fonte: “Os cem melhores filmes do século 20” – Rubens Ewald Filho – Vimarc Editora – 2001.

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