Os bons companheiros

Roteiros- Cultura – Filmoteca do Roteirista

 

Direção: Martin Scorsese – 1990 – EUA – drama – 145 min. Roteiro: Nicholas Pilegi e Martin Scorsese Elenco: Ray Liotta, Robert De Niro, Joe Pesci .

Sinopse: Durante três décadas, Henry integra um grupo de gangsteres que comanda assaltos, interceptação, uma rede de proteção a outros gangsteres e, finalmente, tráfico de drogas.

Comentários: “Até onde eu me lembro, sempre quis ser um gangster, muito mais do que presidente dos Estados Unidos.” Se na sua infância você torcia pelos índios em filmes de cowboy e pelo ladrão em policiais, você vai amar “Os bons companheiros”, obra prima de Martin Scorsese sobre o universo gangster. Mesmo se você detesta histórias de gangsteres, você vai gostar de “Goodfellas” porque o filme é uma aula de cinema, direção e roteiro. A direção usa recursos simples, alguns até batidos ou arriscados, de forma primorosa. Uma delas é a narração em off. Há também as imagens congeladas, estrategicamente inseridas na ação, enquanto a voz off continua contando parte daquela história, congelada pelo tempo, como em uma foto que capta e registra para sempre aquele momento. O mesmo vale para os cortes secos, enfoques e tomadas. Outra bola dentro de Scorsese é a trilha musical que compõe um painel de época: primeiro, do final dos anos 1950, com baladinhas e um rock and roll mais ingênuo; depois, nos anos 1960, com toda a sua diversidade musical, experiências sonoras, influências e delírios; e, finalmente, no início dos anos 1970, quando o rock ganha peso e maior elaboração. Entre as pérolas da trilha, Stones, Muddy Watters, Sex Pistols, Derek and the Dominos, etc. Entre os atores, atuações definitivas de De Niro, Liotta e o impagável Joe Pesci (Oscar de ator coadjuvante). Quando criança, eu sempre torci para índios, bandidos e gangsteres. Até onde me lembro, sempre quis ser escritor e roteirista, muito mais do que bombeiro, soldado ou policial. E este ‘Goodfellas’, a melhor fita de Martin Scorsese, me faz ter ainda mais certeza disto a cada vez que a assisto.

Roteiro: O texto de Nicholas Pileggi (em co-autoria com o próprio Scorsese) é um exemplo de como se contar uma boa história. Não há invencionices, nem recursos mirabolantes, pseudocriativos, mas sim a engenhosidade de como narrar um fato, um acontecimento ou mesmo toda uma vida entre gangsteres. Há um traço de documentário no texto de Pileggi que torna a narrativa assustadoramente real. A narrativa em off, explorada de forma primorosa pela direção e pela memorável locução, tem toques de boa literatura, na forma e na construção.

Por: Alexandre Gennari

 Trailer

 Fonte: “Os cem melhores filmes do século 20” – Rubens Ewald Filho – Vimarc Editora – 2001.

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