Metropolis

Roteiros – Cultura – Filmoteca do Roteirista

 Direção: Fritz Lang – 1926 – Alemanha – Ficção – 90 min. – Roteiro: Thea Von Harbou – Elenco: Gustav Frölich, Brigitte Helm, Alfred Abel 

Sinopse: No futuro, operários vivem e trabalham no subsolo de uma cidade chamada Metrópolis, enquanto os patrões habitam a superfície. O herdeiro de uma indústria conhece uma operária e isto mudará a vida da cidade.

Comentários: Criei uma máquina à semelhança do homem, que nunca se cansa ou comete erros (…) Agora não precisamos mais de trabalhadores humanos.” É o que diz um inventor amalucado em Metrópolis, de Fritz Lang, ao apresentar sua nova criação. Um computador? Em 1926? Não. Um robô. Mas a descrição do invento se parece mais com uma visão premonitória do que viria a ser o computador, regente da automação industrial. Quase um século depois, o sonho de prescindir de humanos nas linhas de produção parece tão vivo na cabeça dos tecnocratas quanto era nos diálogos de Thea Von Harbou, em 1926. Em seu cinema visionário, Lang reflete sobre a era industrial – a importância da máquina e a desimportância do ser humano – lançando um olhar aflito sobre a questão social, a luta de classes, as lideranças operárias e o sindicalismo. Como os “morloques” de Wells, os operários de Metrópolis vivem sob a terra, segregados no subsolo. Num rasgo de liderança radical, a falsa Maria, impostora que toma o lugar da protagonista, incita: “Destruam as máquinas!” É como se ouvíssemos: “Vamos às armas, façamos a revolução proletária!”, mas a líder é uma farsante e a solução para a opressão se dará de uma forma amena, conciliatória, em ritmo de conto de fadas.

A interpretação do atores é quase teatral e a trilha sonora assume uma importância fundamental: Há um toque de música new age que contribui bastante para o clima futurista da ação. Mesmo sem os recursos de hoje, Fritz Lang já ensaiava alguns efeitos especiais criando climas non-sense e delírios visuais como em uma cena que mostra a dança de caveiras articuladas. Como no teatro, os relógios são importantes objetos dramáticos, sempre a marcar as horas, nervosos, impacientes. O comando da grande máquina também tem o formato de um relógio e seus ponteiros são manipulados pelos operários. Infelizmente, no final, a fita descamba para uma apoteose megalomaníaca, mas que não deixa de ser também uma premonição do que viria a ser uma tendência na Holywood do futuro.

Roteiro: Assistir a filmes mudos na era dos milionários efeitos especiais nos faz pensar em quanta criatividade era necessária para se criar pérolas como Metrópolis. Vemos toda essa criatividade neste roteiro assinado por Thea Von Harbou e brilhantemente executado por Lang. É fascinante a arte do dizer (quase) sem falas, da expressão totalmente centrada nas imagens e nos movimentos. É cinema puro, na veia.

Por: Alexandre Gennari

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