Cidadão Kane

Roteiros – Cultura – Filmoteca do Roteirista

 

Direção: Orson Welles – 1941 – EUA – Drama – 120 min. – Roteiro: Herman J. Mankievicz e Orson Welles – Elenco: Orson Welles, Joseph Cotten, Ray Collins, Paul Stewart 

Sinopse: Jornalistas tentam reconstituir a vida de um importante empresário da imprensa nos EUA através de depoimentos de pessoas que o conheceram. O ponto de partida é uma palavra misteriosa dita por ele pouco antes de morrer: Rosebud.

Comentários: Afinal, para que serve o Oscar senão para satisfazer a vaidade de Holywood, alavancar bilheterias, massagear o ego dos americanos e pra gente comer pipoca na frente da televisão uma vez por ano enquanto assiste à cerimônia de entrega dos prêmios? Embora tenha conquistado apenas um Oscar e tenha sido um fracasso de bilheteria na época em que foi lançado, Cidadão Kane é o filme preferido da crítica para ocupar o posto de “O melhor de todos os tempos”.

O filme é uma biografia disfarçada (mas não muito) de William Randolph Hearst, uma espécie de Roberto Marinho da imprensa nos EUA na primeira metade do século XX. A narrativa desvenda, constrói e cultua a personalidade forte e polêmica de um homem público amado e odiado ao mesmo tempo (como todos nós) com seus defeitos e qualidades, um personagem misterioso e riquíssimo em todas as suas nuances. No início, o filme assume o formato de documentário para contar parte da vida de Kane, este ritmo de jornalismo está presente em toda a ação, o que permite a Welles falar do mundo da mídia usando a linguagem própria do meio, ou seja, a reportagem, com entrevistas e investigação.

Embora tenha sido rodado em 1941, o tema continua atual, pois a mídia nunca foi tão poderosa e tão questionada como nos dias de hoje. Segundo o crítico de cinema Rubens Ewald Filho, “grande parte do cinema moderno foi inspirado em Cidadão Kane, um filme que resiste a qualquer análise“. Assim, pode-se dizer que a história do cinema se divide em antes e depois de Cidadão Kane.

Roteiro: O roteiro é uma espécie de quebra cabeça que exige atenção, a narrativa não linear vai e vem no tempo, mas de maneira muito bem encadeada. Sua forma de narrar talvez seja a maior responsável pela revolução provocada no cinema moderno, de acordo com Ewald Filho. Em parte por causa do formato jornalístico assumido em determinadas passagens e por certas sutilezas inesquecíveis como as sequencias que contam a crise do casamento de Kane com sua primeira esposa mostrando flashes dos dois tomando café da manhã cada vez mais longe um do outro. Mankievicz e Welles ganharam o Oscar de melhor roteiro por Cidadão Kane.

Por: Alexandre Gennari

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