Blade Runner – O Caçador de Andróides

Roteiros – Cultura – Filmoteca do Roteirista

Direção: Ridley Scott – 1982 – EUA – Ficção – 117 min. – Roteiro: Hampton Fancher e David Peoples – Elenco: Harrison Ford, Rutger Hauer, Sean Young

Sinopse: No início do século XXI a humanidade está decadente. A indústria de engenharia genética criou milhares de andróides, semelhantes ao ser humano, para serem escravos na colonização de outros mundos. Mas alguns desses seres estão se rebelando e vivendo em meio aos humanos. Por isso, há agentes especiais cuja missão é exterminá-los.

Comentários: Não há nada mais frágil do que a vida humana. E não há nada mais parecido com os anos oitenta do que Blade Runner, com sua estética dark e deliciosas pitadas fashion. O filme se tornou um cult movie da ficção científica, totalmente inovador para a época. Os cenários futuristas criam um clima denso, underground, onde tudo é sombra. As cenas externas são sempre noturnas o que nos dá a impressão de uma noite que nunca acaba, em meio a um cenário urbano caótico e deprimente. E a trilha sonora, assinada por Vangelis, dá o toque final a esse clima. Um dos temas da fita é engenharia genética. Impossível ser mais atual, já que uma das grandes discussões nos meios científicos de hoje é a clonagem de seres humanos, células tronco e por aí afora.  

Há recursos tecnológicos mostrados no filme que na época pareciam apenas delírio dos roteiristas, mas hoje são reais. Como por exemplo, na cena em que a personagem de Harrison Ford fala com o computador e este obedece ao comando de sua voz. Mas há dois aspectos no filme de Scott que o tornam genial: O confronto entre criador e criatura e a reflexão sobre a condição humana, frágil e perecível. A metáfora entre a brevidade da vida dos andróides e a fragilidade da existência humana na terra, é a grande questão, é o que toca e emociona o espectador sem que ele dê conta disso . Os andróides, como nós, querem mais vida e desafiam seu criador por isso. Essa reflexão filosófica faz de Blade Runner um filme imortal, ao contrário dos andróides e dos humanos.

Roteiro: Abordar profundos aspectos filosóficos em um filme de ficção científica com muita ação, paixão e violência é, talvez, o maior feito de Hampton Fancher e David Peoples no roteiro de Blade Runner. Há também o universo futurista de puro desalento criado por eles e transformado em imagens de forma brilhante por Scott e sua equipe. Um texto genial, matriz para um filme genial.

Por: Alexandre Gennari

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