Apocalipse

Roteiros – Cultura – Filmoteca do Roteirista

Direção: Francis Ford Coppola1979 – EUA – Drama – 105 min. – Roteiro: Coppola e John Milius – Elenco: Marlon Brando, Martin Sheen, Dennis Hooper, Robert Duvall.

Sinopse: Um oficial do exército americano a serviço no Vietnã é encarregado de empreender uma missão ultra-secreta: Encontrar um oficial de alta patente que desertou das forças americanas.

Comentários: O termo Apocalipse lembra a Bíblia, as profecias de Nostradamus, o fim do mundo. Apocalipse é caos. E a Guerra do Vietnã foi puro Apocalipse. O flagelo da guerra é a melhor tradução para o caos, e Apocalipse, de Francis Ford Coppola, transcende a proposta de traduzir a guerra para torna-se sinônimo do próprio caos.

O filme é espetaculoso, grandiloqüente, uma superprodução sem precedentes, um mergulho vertiginoso em uma das guerras mais cruéis e polêmicas da história. Mas além de falar sobre a guerra, Apocalipse desenha um panorama da contracultura e dos anos 1960 com todas as suas nuances. Não há sexo, mas há drogas e rock and roll. A trilha sonora é bombástica: a música de Wagner, o compositor preferido de Hitler, sugere de forma mordaz um paralelo entre a presença americana no Vietnã e o Nazismo. Enquanto isso, The Doors e Rolling Stones desfilam no programa Bom dia Vietnã que os soldados escutam em seus radinhos.

A viagem das drogas, especialmente LSD, torna-se uma metáfora para a jornada de horror pela guerra, simbolizada pela navegação insólita da personagem de Sheen em busca do desconhecido. Esta viagem acaba se transformando numa trip alucinógena, um caminho sem volta rumo à loucura. Há um clima permanente de non-sense, fatos estranhos se sucedem. Rubens Ewald Filho afirma que “A fita pretende ser uma viagem, literal e metaforicamente até a loucura”. Mas na verdade, o que é real e o que é delírio nesta jornada apocalíptica de Coppola ninguém nunca saberá, a não ser aqueles que estiveram lá.

Roteiro: o roteiro de Apocalipse, assinado por Coppola e John Milius, tem características de um Road movie, mas sem estrada. A estrada, no caso, é um rio que leva as personagens (e o espectador junto com elas) rumo ao desconhecido e à loucura.

Por: Alexandre Gennari

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