Amarcord

Roteiros- Cultura – Filmoteca do Roteirista

Direção: Federico Fellini – 1973 – Itália – Comédia – 123 min. – Roteiro: Fellini e Tonino Guerra – Elenco: Magali Noel, Pupella Maggio, Armando Brancia

Sinopse: Recordações da infância e adolescência de um garoto que vive em uma pequena cidade do litoral da Itália.

Comentários: O que será Amarcord? Uma pessoa, um lugar ou simplesmente uma palavra inventada pelo delirante Fellini? O mistério desta obra prima começa pelo título: Amarcord quer dizer “eu me recordo” no dialeto falado na região de Rimini, cidade onde nasceu Fellini. Este é o tema e o fascínio do filme. A viagem de um homem à sua infância e adolescência. Para narrar esta viagem o diretor pensa por meio de imagens, fala por meio delas e traduz suas lembranças em forma de cenas inusitadas e repletas de simbolismos. A arte do cinema é a arte da imagem. E a imagem é a grande arte de Fellini. 

Amarcord é, assumidamente, autobiográfico. Destaque para o desfile de tipos estranhos com toda a força dos rostos felinianos, expressões que contam histórias sem a necessidade de diálogos: O homem que toca acordeão, a ninfomaníaca, o homem que apresenta diversas coisas, o zio Théo clamando por uma mulher, Gradisca, a musa idolatrada na infância de todo menino. Há também uma sucessão de eventos pitorescos: A visita ao tio Théo, detalhes típicos da Itália, a música (de Nino Rota, componente fundamental da obra de Fellini), o passeio de barco, o nevoeiro, a corrida de cavalos, a motocicleta, o xeique… e o toque político, a ironia ao espectro do autoritarismo Fascista: a tortura imposta é beber óleo de rícino! 

Segundo o crítico de cinema Rubens Ewald Filho “Fellini ri com a vida provinciana de sua gente, brincando com seus sonhos de infância, sem medo do grotesco ou do banal.” Amarcord ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro e concorreu também aos prêmios de roteiro e direção. Assistir à Amarcord é mergulhar de cabeça no curioso universo de Federico Fellini e despertar as lembranças e mistérios de nossa própria infância e juventude. Sem medo de ser feliz!

Roteiro: Assinado por Fellini e Tonino Guerra, o roteiro de Amarcord é fragmentado, composto por vários esquetes, uma colcha de retalhos costurada à partir de breves episódios de lembranças do diretor, uma viagem visual por cenas aparentemente independentes, soltas. É, sobretudo, um exemplo de como falar com o espectador por meio de imagens em vez de falas e diálogos.

Por: Alexandre Gennari

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s