A Rosa Púrpura do Cairo

Programa Cotidiana – Filmoteca do Roteirista – Alexandre Gennari

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Direção: Woody Allen –1985 – EUA – Comédiaa – 82 min.  – Roteiro: Woody Allen – Elenco: Mia Farrow, Jeff Daniels, Danny Aiello

Sinopse: Uma dona de casa fanática por cinema tem uma surpresa ao assistir pela quinta vez ao filme “A Rosa Púrpura do Cairo”.

Comentários: Imagine-se sentado numa sala de cinema assistindo, pela milésima vez, à maravilhosa Sharon Stone em Instinto Selvagem, quando a personagem descruza as pernas e sai da tela para falar com você… É mais ou menos isso o que acontece em A Rosa Púrpura do Cairo, filme de Woody Allen que reverte os padrões do cinema moderno e a relação entre realidade e ficção.

A ficção costuma ser um refúgio da realidade, e justamente aí está sua magia. Alenn, em sua fase mais criativa, coloca o cinema como ponto de fuga de uma dona-de-casa frustrada com sua realidade. Ela se refugia em uma história água-com-açúcar que assiste repetidas vezes em um cinema próximo de sua casa. Mas em uma dessas sessões surge a paródia do diretor, mostrando Holywood, literalmente, como a grande “fábrica de ilusões”, caricaturando atores egocêntricos, produtores interesseiros e uma cinéfila como protagonista. Por outro lado, o filme é uma espécie de “eu me amo” do cinema para si mesmo, um olhar para o próprio umbigo, mas com uma boa dose de autocrítica.

O turning point da ação ocorre quando um dos personagens sai da tela para conhecer Cecília, a dona-de-casa vivida por Mia Farrow. A partir daí, a realidade difícil se mistura ao sonho da ficção e nada mais será como antes, nem para os personagens da fita, nem para quem a assiste.

Uma metáfora curiosa que o filme revela é a reflexão sobre criador e criatura. Para o personagem que sai da tela para viver no mundo real, Deus é o roteirista que criou a história!

Veja que Woody Allen, já nos anos 1980 se propôs a realizar uma fita com apenas 82 minutos. Em tempos de video-clipe e internet, nada mais atual. Hoje, diretores que sofrem de hemorragia imagética, deveriam aprender com a objetividade de Allen em A Rosa Púrpura do Cairo.

Por: Alexandre Gennari

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