2001 – Uma odisséia no espaço

Roteiros – Cultura – Filmoteca do Roteirista

Direção: Stanley Kubrick – 1968 – EUA – Ficção – 139 min. – Roteiro: Kubrick e Arthur Clarke – Elenco: Keir Dullea, Gary Lockwood, Willian Sylvester    

Sinopse: Na pré-história, um grupo de macacos encontra um misterioso monólito negro. O mesmo monólito será encontrado milhões de anos mais tarde em uma cratera subterrânea na lua.

Comentários: Desde que o homem se entende por gente, ou talvez até antes, ele se pergunta de onde veio e para onde vai. Esta questão é a idéia central do filme de Kubrick. O absurdo da vida!

A seqüência inicial é uma combinação de silêncios e paisagens ermas que provocam uma estranha sensação de vastidão, de lugares longínquos e remetem o espectador aos primórdios da vida na Terra. Tudo gira em torno do misterioso monólito encontrado por nossos ancestrais, os macacos. Em uma cena antológica que marcou a história do cinema, um desses macacos arremessa um osso para o alto e a imagem do osso funde-se com a imagem de uma nave espacial, alguns milhões de anos depois: Uma metáfora magnífica para o Grande Salto da Humanidade. O monólito, sempre presente na ação, será encontrado novamente por astronautas numa cratera escavada na Lua. Ele simboliza o mistério da criação. Talvez seja Deus, o criador, uma divindade ou, simplesmente, o inexplicável.

A partir daí, o filme foca uma viagem para Júpiter (que na mitologia greco-latina significa o Deus supremo). As cenas espaciais são tão silenciosas, perturbadoras e impactantes, quanto as cenas da pré-história no início da fita. O espectador é arremessado no espaço onde flutua de carona com os personagens de Kubrick, suspenso entre o ser e o nada. Hal 9000, o supercomputador que comanda a nave, confrontará a inteligência humana com a artificial. Em um filme que usa pouco o diálogo como recurso narrativo, as conversas entre o computador e os astronautas são destaque. O olho mecânico de Hal é onipresente, como Deus, que a tudo vê ou como o Grande Irmão. A última etapa da viagem narra a experiência da morte, o encontro com o criador e o renascimento na terra.

A Odisséia de Kubrick é uma viagem à gênese, a Deus e aos mistérios da vida humana. Os sons, os silêncios e a música de Strauss são tão significativos quanto as imagens da fita. Tentar explicar ou definir 2001 é o mesmo que tentar explicar a origem da vida no universo. Segundo o próprio Kubrick “Tentei criar uma experiência visual que ultrapassasse a comunicação verbal e penetrasse diretamente no subconsciente… Vocês são livres para especular sobre o significado filosófico e cultural do filme. Não quero estabelecer um mapa verbal que todos sejam obrigados a seguir”.

O filme de Kubrick foi indicado para o Oscar de direção, roteiro original e direção de arte, mas ganhou apenas o de efeitos especiais. Felizmente as grandes obras do cinema sobrevivem às injustiças da Academia.

Roteiro: Como disse o próprio Kubrick, roteirista do filme, ao lado de Arthur Clarke, 2001 pretendia ser uma “uma experiência visual que ultrapassasse a comunicação verbal e penetrasse diretamente no subconsciente…” Antes de tudo e até que se prove o contrário, cinema é a arte da imagem. Por isso, Kubrick e Clark criaram um roteiro no qual as imagens e símbolos prevalecem sobre os diálogos. E essas imagens, elaboradas primeiro nas cabeças deles, muito antes de serem filmadas, são absolutamente inacreditáveis. Assim, 2001 pode ser considerado uma aula sobre como criar um roteiro no qual as imagens falem por si só.

Por: Alexandre Gennari

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