“O Grande Cerimonial” de Fernando Arrabal, no Eugênio Kusnet

Roteiros – canal Aberto  Teatro

ESPETÁCULO O GRANDE CERIMONIAL FAZ CURTA TEMPORADA NO TEATRO DE ARENA EUGÊNIO KUSNET

Texto do dramaturgo espanhol Fernando Arrabal, narra a história de Cavanosa e suas relações contraditórias com sua mãe, mulheres e bonecas. Montagem do Teatro Kaus, tem direção de Reginaldo Nascimento

Texto inédito no Brasil, a peça O GRANDE CERIMONIAL, do dramaturgo espanhol Fernando Arrabal, reestréia dia 10 de junho, sexta-feira, às 21h, no TEATRO DE ARENA EUGÊNIO KUSNET. Peça narra a história de Cavanosa e suas relações contraditórias com sua mãe, mulheres e bonecas. Montagem do Teatro Kaus, tem direção de Reginaldo Nascimento, e reúne no elenco os atores Alessandro Hernandez, Amália Pereira, Debborah Scavone e Angelo Coimbra.

Escrito em 1963, O GRANDE CERIMONIAL narra a história de Cavanosa, um Casanova as avessas que todas as noites seduz uma mulher e a leva a seu quarto onde estabelece o cerimonial: um rito tresloucado de amor, que não passa de um projeto, uma fantasia extraída de seus sonhos. O Cerimonial acontece quando Cavanosa encontra a Mulher-menina, a pureza profana que com ele irá desbravar o mundo. Uma história de amor às avessas, levada às últimas conseqüências.

O GRANDE CERIMONIAL traz para cena o mundo claustrofóbico do autor e estabelece um jogo permanente entre o belo e o grotesco, a vida e a morte, o sonho e a realidade, a fantasia e os pesadelos. “Revelamos na montagem um pouco do universo de Arrabal, vestido com as cores da ciência, da filosofia, da rebelião, do humor, do sofrimento, do amor e da imaginação sem limites”, afirma o diretor Reginaldo Nascimento.

“Na concepção do espetáculo optamos por uma linguagem híbrida que transita com o teatro da absurdidade, o surrealismo e o expressionismo. Procurei despertar no trabalho com os atores um estado absurdo, busquei construir interpretações fortes, trabalhadas numa partitura física que apresenta uma gestualidade bem definida para ampliar as possibilidades de comunicação num espetáculo onde o não olhar amplia a capacidade de ver de fato quem somos e para onde vamos”, finaliza o diretor.

Reginaldo Nascimento assina o cenário, sonoplastia e figurino, este último em parceria com Anelise Drake. A cenografia delimita o espaço do sonho surrealista com signos como o carrinho de criança e outros objetos. As bonecas que compõem o cenário foram criadas pela artista plástica Suzy Gheler. A trilha sonora é composta de melodias desconexas que desenham as nuances da peça. Os figurinos transitam com a fantasia, com cores fortes, baseadas no surrealismo, nos remetendo as histórias infantis.

A iluminação, de Vanderlei Conte, aposta nas penumbras e sombras, criando uma linguagem expressionista. A orientação corporal é de Mônica Granndo. Espetáculo estreou em maio de 2010, no Teatro Augusta, sala Experimental. Ainda em 2010, participou de Festivais de Teatro nas cidades de Presidente Prudente, São José dos Campos e Vitória.

Fernando Arrabal: Escritor, dramaturgo e cineasta, nascido no Marrocos espanhol em 1932, atualmente mora em Paris. Controvertido, cultiva uma estética irreverente tanto na sua obra como nas suas aparições públicas. Recebeu o reconhecimento internacional pela sua obra narrativa (onze novelas), poética (numerosos livros ilustrados por Amat, Dalí, Magritte, Miotte, Saura, entre outros), dramática (numerosas obras de teatro publicadas em dezenove volumes) e cinematográfica (seis longas-metragens). Autor de mais de 70 peças teatrais entre elas: Fando e Lis, Guernica, A Bicicleta do condenado, O triciclo, O cemitério de automóveis, O Arquiteto e o Imperador da Assíria, A Oração, Uma Tartaruga chamada Dostoiëwsky, O Jardim das Delícisa, O  labirinto,  entre outras. Arrabal não é só o autor espanhol mais encenado no mundo, quanto também um dos poucos autores do chamado Teatro do Absurdo que ainda vivem e produzem. Na década de Sessenta, depois de permanecer três anos no grupo surrealista, Arrabal, juntamente com Roland Topor e Jodorowsky, cria o Movimento Pânico, cujo manifesto expressava a intenção de conciliar o absurdo com o cruel, identificar a arte com o vivido e adotar a cerimônia como forma de expressão. Seu Teatro Pânico, que ele mesmo qualifica como presidido pela confusão, o humor, o terror, o azar e a euforia, está baseado na busca formal, tanto espacial como gestual, e na incorporação de elementos surrealistas na linguagem.

Reginaldo Nascimento: Ator e Diretor Teatral em constante atividade desde 1990, Licenciado em Artes com Habilitação em Educação Artística. Atualmente é Professor no Teatro Escola Macunaíma, e também ministra aulas no ETA (Estúdio de Treinamento Artístico). É fundador e diretor há 13 anos do TEATRO KAUS CIA EXPERIMENTAL. Em Novembro de 2010 mediou a Mesa Dialogo entre autores latino- americanos, evento Organizado pelo Sesi Brichit Council-Sp. Participou de diversos cursos de formação e aprimoramento com diversos e importantes profissionais. Desde 1993 se dedica especificamente a Direção Teatral e a pesquisa do teatro de grupo, tendo assinado a direção de mais de 20 Espetáculos entre eles: Infiéis, de Marco Antonio de la Parra, A Revolta, de Santiago Serrano, El Chingo, de Edílio Peña, Pigmaleoa, de Millôr Fernandes, Cala a Boca Já Morreu, de Luís Alberto de Abreu, A Boa, de Aimar Labaki, Vereda da Salvação, de Jorge Andrade, Homens de Papel e Oração para um pé de chinelo, ambas de Plínio Marcos entre outros. Realiza, desde 1994, várias oficinas e cursos em prefeituras, secretarias de cultura e instituições privadas pelo interior do Estado, na capital e outros estados. Organizou e Editou o Livro CADERNOS DO KAUS “O Teatro na América Latina”. Em agosto de 2009 idealizou e executou juntamente com o Grupo Kaus e em parceria com o Instituto Cervantes a Mesa de Debates Um Certo Arrabal, evento que trouxe a São Paulo  o Dramaturgo Fernando Arrabal, um dos mais importantes da cena Mundial.

Teatro Kaus Cia. Experimental– Radicado em São Paulo desde outubro de 2001, o Teatro Kaus Cia Experimental da Cooperativa Paulista de Teatro foi criado em dezembro de 1998, na cidade de São José dos Campos, pelo ator e diretor Reginaldo Nascimento e pela atriz e jornalista Amália Pereira. Na capital paulista, a Cia. encenou as peças A Revolta, do argentino Santiago Serrano (2007), El Chingo, do venezuelano Edilio Peña (2007), Infiéis, do chileno Marco Antonio de la Parra (2006/2009), Vereda da Salvação, de Jorge Andrade (2005/2004) e Oraçãopara um pé de chinelo, de Plínio Marcos (2002). Em fevereiro de 2007, o Teatro Kaus estreou o Repertório do Kaus, no Centro Cultural São Paulo, onde ficou em cartaz com os espetáculos El Chingo, A Revolta e Infiéis. Participou em Julho de 2007 como convidado do XVIII Temporales Internacionales de Teatro, em Puerto Montt e da Lluvia de Teatro de Valdivia, ambas no Chile, apresentando o Espetáculo A Revolta realizando três apresentações, com o texto original em espanhol. Em novembro de 2007 lançou o livro Cadernos do Kaus – O Teatro na América Latina, um registro documental sobre todas as ações do projeto Fronteiras – O Teatro na América Latina, realizado pelo grupo durante o ano de 2006 e 2007, em parceria com o Instituto Cervantes e beneficiado pela Lei de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo. Em 2008, fez temporadas no Centro Cultural da Juventude com as peças El Chingo e Infiéis. Em 2009, realizou temporada da peça Infiéis, no Teatro X, onde participou também do evento Festa do Teatro. Em novembro de 2009, participou no SESC SANTANA, do evento Experiência Cênica, que teve como foco a obra do dramaturgo e cineasta espanhol Fernando Arrabal. A Programação contou com leitura de textos, exibição de filme, palestras com Alexandre Mate e Jefferson Del Rios e oficina com Reginaldo Nascimento, idealizador do evento, além de ensaio Aberto da peça O Grande Cerimonial.

GRANDE CERIMONIAL – Reestréia dia 10 de junho de 2011, sexta-feira, às 21h. Texto: Fernando Arrabal. Direção:Reginaldo Nascimento. Com o Teatro Kaus Cia Experimental. Elenco: Alessandro Hernandez, Amália Pereira, Debborah Scavone e Angelo Coimbra.Duração: 90 minutos. Recomendação: 14 anos. Ingressos: R$20,00 (Estudantes, maiores de 60 anos e classe teatral têm 50% de desconto). Sextas e sábados, às 21h. Domingos, às 20h. Até 3 de julho.

TEATRO DE ARENA EUGÊNIO KUSNET – Rua Dr. Teodoro Baima, 94 – República, tel:  3259-6409 e 3256-9463. Capacidade 99 lugares. Bilheteria funciona uma hora antes das apresentações. Acesso para deficientes. Ar condicionado. Estacionamento ao lado.

Por: Amália Pereira – (11) 3159-1822 / (11) 9762-5340 – amaliapereira@terra.com.br

Críticas sobre o espetáculo

“A montagem do texto de Arrabal pelo Teatro Kaus é exercício a um só tempo reverente e autônomo sobre a dramaturgia do autor espanhol. Preserva dela a estranheza da tonalidade quase infantil contrastada com situações que beiram o grotesco. Mas, serve aquele banquete de coisas excêntricas em bandeja adornada com motivos que, eleitos pelo grupo, criam para a história uma moldura específica, a remeter ao cinema expressionista e, mais longe, ao surrealismo” (Kil Abreu).

“Delírio psicótico ou sexual, ‘O Grande Cerimonial’ remete ao surrealismo, e não só. Me impressionou especialmente a preparação do elenco, tanto física quanto verbal, e o tour de force de Alessandro Hernandez merece todos os elogios” (Luiz Carlos Merten).

“A direção de Reginaldo Nascimento à frente do Teatro Kaus adiciona aos elementos surrealistas do texto uma proposta cênica híbrida, em especial expressionista, na trilha sonora intensa e na iluminação de Vanderlei Conte, que projeta sombras para traduzir a aspereza das emoções dos personagens” (Christiane Riera – Folha de São Paulo).

“Na atual versão de O Grande Cerimonial, Reginaldo Nascimento trata os personagens como marionetes de gestos mecânicos e fragmentados, o que evita a abordagem realista e psicológica da peça. Há sequências que lembram balé e os giros lentos das figuras de caixinhas de música. Há uma misteriosa expressividade nessas cenas que se congelam. Percebem-se ali as linhas gerais do expressionismo cinematográfico alemão, sobretudo no desempenho de Peter Lorre em M (ou Vampiro de Dusseldorf) no Cavanosa que Alessandro Hernandez interpreta com brilhantes nuances de angústia e solidão”(Jefferson Del Rios – O Estado de São Paulo).

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s