“Mostra do Repertório 2012” do grupo Clariô, no Espaço Clariô

Roteiros – Canal Aberto – Teatro

Grupo Clariô de Teatro: coletivo de arte resistente, que busca, através da prática da troca, encontro e permanente discussão, entender e fomentar arte nas bordas da metrópole. Durante alguns anos, o grupo pesquisou várias linguagens teatrais, passando pelo teatro infantil, realista, teatro de rua e bonecos. Até fundar, em Taboão da Serra, sua sede – Espaço Clariô – que desde 2005 vem se consolidando como um lugar de força cultural entre os coletivos da região. E é lá que o grupo encaminha sua pesquisa enraizada nos guetos, no cotidiano do cidadão periférico.

Hospital da Gente: O encontro com o escritor Marcelino Freire, cuja acidez dos contos funde-se com o espaço e a realidade local, fez com que as ideias do grupo ganhassem voz. Sinopse: Catadas dos cantos/contos de Marcelino Freire, trabalhadoras do Brasil abrem as portas dos seus barracos para revelarem à que vieram, qual o seu papel, seu lugar dentro de uma estrutura caótica e desigual. Sem drama! Não há o Drama. Figuras tão conhecidas como a mendiga, a bêbada, a prostituta , a velha, a mãe ou a dona de um boteco de uma Favela Fênix qualquer, dão luz à perguntas apagadas do nosso questionário a respeito do que está acontecendo. O que esta acontecendo? O que você faz com a fome, tem remédio? Onde eu vou achar tanto remédio bom? Minhas asas quem mandou cortar? Capim sabe ler? Hein? E o cachorro? A cachorra? Sou puta ou não sou puta? Parado não é pior? Repartir seu quarto? Pergunta? Cadê meus dentes? Tem esforço mais esforço do que o meu esforço? Ta me ouvindo bem? Já viu amor entre porco? Entre sapo? Entre pombo? Aí diz que o pombo é bonito porque o pombo se empomba, porque o pombo corre atrás da pomba, bom é pombo assado e pronto! O moço ta servido? A moça?

Urubu come carniça e voaSinopse: Escritos crônicos e retratos da vida de um poeta pernambucano, negro, oriundo de Muribeca, bairro periférico, que leva o mesmo nome do lixão em torno do qual o conjunto habitacional onde mora foi construído. João Flávio Cordeiro, o Miró de Muribeca, faz da poesia a maneira mais concreta de responder a violência sofrida e observada por ele cotidianamente. Um artista intenso, crônico por natureza que, além dos escritos, traz no corpo e na palavra dita, uma visceralidade peculiar, que propõe novos olhares para um lugar onde “um sujeito pode bater no outro, só porque ele deu um riso!”, mas que, recheado de seu “alegrismo poético”, é capaz de colorir a tragédia e alçar vôos de celebração à vida. Uma ponte, uma travessia até Miró, é o que o novo espetáculo do grupo Clariô propõe. Atravessando a palavra do poeta de corpo e órgãos, descobrindo musicalidades e gestos que traduzam/dialoguem seus ditos tão urbanos e sertanejos. “Urubú come carniça e vôa!” é o que nos clariô nestinstante como chuva fina ao sol.

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